Nas redes sociais, o anão diplomático se transformou no perspicaz e idolatrado Tyrion Lannister, personagem da série Game of Thrones.
Najla Passos
Brasília - A forma com que governo e oposição responderam à crítica feita por Israel de que o Brasil é um “anão diplomático” diz muito sobre o que pensam e como agem as duas principais forças que disputam o controle do país nas eleições de outubro.
O governo brasileiro afirmou reconhecer o direito de Israel de se defender, mas reiterou que condena energicamente o uso desproporcional da força de Israel na Faixa de Gaza, que já causou a morte de centenas de civis, incluindo crianças, mulheres e idosos.
Já o principal candidato da oposição, senador Aécio Neves (PSDB-MG), preferiu fazer uso político do caso. Foi à mídia monopolista criticar não a beligerante Israel, mas a diplomacia petista. “O Brasil se precipitou”, disse.
O desagravo de Israel ao Brasil ocorreu na quinta (24), após o Itamaraty votar a favor de uma dura resolução da ONU contra o país, chamar o embaixador brasileiro em Tel Aviv para consulta e condenar publicamente o bombardeio de edificações civis palestinas – como um hospital e uma escola das Nações Unidas.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, rebateu, via The Jerusalem Post, que a posição era “uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático".
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, contra-argumentou imediatamente. “Morreram cerca de 700 pessoas na Faixa de Gaza, a grande maioria delas civis e um número também bastante alto de mulheres e crianças. Isso não é aceitável e é contra isso que nós nos manifestamos", esclareceu em entrevista.
Só no sábado (26), dois dias após a crítica israelense e quando os mortos do lado palestino já passavam da casa de mil, Aécio Neves decidiu enfrentar o tema. A ação “coincidiu” coma publicação da edição semanal da revista Veja, a porta-voz da extrema direita brasileira, cuja manchete de capa é “Apagão na diplomacia”.
O caminho encontrado pelo candidato para condenar a posição do governo foi dizer que “faltou uma palavra mais clara de convite ao cessar fogo”, algo que o país têm feito desde que os ataques se intensificaram, há duas semanas, durante atividade de campanha eleitoral na capital paulista.
A posição do governo brasileiro de condenar o poderia bélico israelense, no entanto, já havia sido bem recebida e comemorada pela população. Até parte da mídia monopolista já parecia haver entendido que não pode tratar como de “guerra” a “ação genocida” em curso, na qual 95% dos mortos são palestinos.
Nas redes sociais brasileiras, o assunto ganhou destaque. No Twitter, o teólogo Leonardo Boff resumiu a indignação coletiva: "Prefiro ser um anão diplomático do que um assassino de inocentes. E o Brasil é justo e altivo na política internacional".
O senador de oposição Cristovam Buarque (PDT-DF) também se manifestou em defesa da presidenta: “O silêncio diante do que acontece em Gaza faria da @dilmabr um anão moral. Melhor ser um anão diplomático”.
Mas o que conquistou, de fato, a simpatia dos internautas foi a ironia à crítica israelense que associou a expressão “anão diplomático” ao lendário e idolatrado Tyrion Lannister, personagem interpretado por Peter Dinklage em Game of Thrones, a série de TV de maior sucesso mundial da atualidade.
O “anão diplomático” já ganhou até perfil próprio no Facebook. Na foto do perfil, uma montagem com o rosto ator que representa Tyrion. Na imagem de capa, o Itamaraty. Na descrição da página, a frase “Porque tamanho não é documento, mas a Carta da ONU é”.
No governo Dilma, a diplomacia brasileira acumula erros e acertos. Mas é impossível não reconhecer que os últimos são, pelo menos, o que melhor se mantêm na memória coletiva. Dilma não é Luiz Inácio Lula da Silva que, mesmo insistindo na quebra da hegemônica norte-americana, através do fortalecimento da relação Sul-Sul, foi classificado por Barak Obama como “o cara”.
Mas ela ganhou pontos, primeiro, ao salvar a Rio 20 do fiasco completo. E, principalmente, conquistou a admiração mundial por condenar, em discurso na ONU, a espionagem ilegal praticada pelo governo do homem mais poderoso do mundo contra nações e cidadãos e ainda se recusar a ser recebida por ele em Washington “com honras de estado”.
A crítica de Brasil a Israel ocorreu no momento em que o país contabilizava cerca de 30 mortes, enquanto as baixas palestinas já ultrapassavam as 700, a maioria de civis, em uma clara demonstração de que o primeiro ultrapassou em muito as fronteiras do admissível. É, sem dúvida, mais um acerto.
Se o caso é escolher um perfil de anão, vale a sabedoria popular materializada nas redes sociais com Tyrion Lennister. A depender da oposição conservadora e da mídia de extrema direita, o Brasil não passará de um risível e inútil “anão de jardim”.
Créditos da foto: Divulgação
Najla Passos
Brasília - A forma com que governo e oposição responderam à crítica feita por Israel de que o Brasil é um “anão diplomático” diz muito sobre o que pensam e como agem as duas principais forças que disputam o controle do país nas eleições de outubro.
O governo brasileiro afirmou reconhecer o direito de Israel de se defender, mas reiterou que condena energicamente o uso desproporcional da força de Israel na Faixa de Gaza, que já causou a morte de centenas de civis, incluindo crianças, mulheres e idosos.
Já o principal candidato da oposição, senador Aécio Neves (PSDB-MG), preferiu fazer uso político do caso. Foi à mídia monopolista criticar não a beligerante Israel, mas a diplomacia petista. “O Brasil se precipitou”, disse.
O desagravo de Israel ao Brasil ocorreu na quinta (24), após o Itamaraty votar a favor de uma dura resolução da ONU contra o país, chamar o embaixador brasileiro em Tel Aviv para consulta e condenar publicamente o bombardeio de edificações civis palestinas – como um hospital e uma escola das Nações Unidas.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, rebateu, via The Jerusalem Post, que a posição era “uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático".
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, contra-argumentou imediatamente. “Morreram cerca de 700 pessoas na Faixa de Gaza, a grande maioria delas civis e um número também bastante alto de mulheres e crianças. Isso não é aceitável e é contra isso que nós nos manifestamos", esclareceu em entrevista.
Só no sábado (26), dois dias após a crítica israelense e quando os mortos do lado palestino já passavam da casa de mil, Aécio Neves decidiu enfrentar o tema. A ação “coincidiu” coma publicação da edição semanal da revista Veja, a porta-voz da extrema direita brasileira, cuja manchete de capa é “Apagão na diplomacia”.
O caminho encontrado pelo candidato para condenar a posição do governo foi dizer que “faltou uma palavra mais clara de convite ao cessar fogo”, algo que o país têm feito desde que os ataques se intensificaram, há duas semanas, durante atividade de campanha eleitoral na capital paulista.
A posição do governo brasileiro de condenar o poderia bélico israelense, no entanto, já havia sido bem recebida e comemorada pela população. Até parte da mídia monopolista já parecia haver entendido que não pode tratar como de “guerra” a “ação genocida” em curso, na qual 95% dos mortos são palestinos.
Nas redes sociais brasileiras, o assunto ganhou destaque. No Twitter, o teólogo Leonardo Boff resumiu a indignação coletiva: "Prefiro ser um anão diplomático do que um assassino de inocentes. E o Brasil é justo e altivo na política internacional".
O senador de oposição Cristovam Buarque (PDT-DF) também se manifestou em defesa da presidenta: “O silêncio diante do que acontece em Gaza faria da @dilmabr um anão moral. Melhor ser um anão diplomático”.
Mas o que conquistou, de fato, a simpatia dos internautas foi a ironia à crítica israelense que associou a expressão “anão diplomático” ao lendário e idolatrado Tyrion Lannister, personagem interpretado por Peter Dinklage em Game of Thrones, a série de TV de maior sucesso mundial da atualidade.
O “anão diplomático” já ganhou até perfil próprio no Facebook. Na foto do perfil, uma montagem com o rosto ator que representa Tyrion. Na imagem de capa, o Itamaraty. Na descrição da página, a frase “Porque tamanho não é documento, mas a Carta da ONU é”.
No governo Dilma, a diplomacia brasileira acumula erros e acertos. Mas é impossível não reconhecer que os últimos são, pelo menos, o que melhor se mantêm na memória coletiva. Dilma não é Luiz Inácio Lula da Silva que, mesmo insistindo na quebra da hegemônica norte-americana, através do fortalecimento da relação Sul-Sul, foi classificado por Barak Obama como “o cara”.
Mas ela ganhou pontos, primeiro, ao salvar a Rio 20 do fiasco completo. E, principalmente, conquistou a admiração mundial por condenar, em discurso na ONU, a espionagem ilegal praticada pelo governo do homem mais poderoso do mundo contra nações e cidadãos e ainda se recusar a ser recebida por ele em Washington “com honras de estado”.
A crítica de Brasil a Israel ocorreu no momento em que o país contabilizava cerca de 30 mortes, enquanto as baixas palestinas já ultrapassavam as 700, a maioria de civis, em uma clara demonstração de que o primeiro ultrapassou em muito as fronteiras do admissível. É, sem dúvida, mais um acerto.
Se o caso é escolher um perfil de anão, vale a sabedoria popular materializada nas redes sociais com Tyrion Lennister. A depender da oposição conservadora e da mídia de extrema direita, o Brasil não passará de um risível e inútil “anão de jardim”.
Créditos da foto: Divulgação

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