Por Altamiro Borges
Eliane Cantanhêde, a da “massa cheirosa” tucana, parece que já rifou Aécio Neves e embarcou na campanha de Marina Silva. Ela inclusive está indignada com a tática adotada pelo cambaleante presidenciável do PSDB, que resolveu endurecer nas críticas a sua concorrente à vaga para o segundo turno. Em artigo publicado nesta quinta-feira (11) na Folha, ela dá a sua orientação eleitoral: “Marina Silva empurrou Aécio Neves para o terceiro lugar, fora do segundo turno, e Aécio faz tudo para derrubar Marina. Na prática, os dois armam um trampolim para a reeleição de Dilma Rousseff e a eternização do aparelhamento do Estado pelo PT. A oposição, desunida, certamente será vencida”. Mais direto é impossível!
A “calunista” até entende a tática adotada, mas discorda. “Aécio ficou sem alternativa diante da novidade. Era bater ou bater em Marina. Com isso, ele tenta conter a sangria e dar ao PSDB um mínimo de capacidade de negociação no segundo turno, sem ter de aderir de graça a Marina. Mas o efeito favorece diretamente Dilma. A questão de Aécio também é de calibragem – o quanto bater para garantir um patamar minimamente seguro de votos sem inviabilizar um acordo do PSDB com o PSB no segundo turno e num eventual governo Marina. A derrota já no primeiro turno será arrasadora para o PSDB, mas o partido tem quadros reconhecidos e eles podem se tornar indispensáveis para Marina governar”.
Em outro trecho, a “massa cheirosa” – que deixou temporariamente os tucanos – também faz a defesa apaixonada de Marina Silva. Na sua ótica, “a campanha de Dilma usa seu imenso tempo de TV para massificar mentiras e mistificações. Os bancos nunca lucraram tanto quanto com Lula e Dilma. Acusar Marina de aliada de banqueiros por causa da educadora Neca Setúbal é indigno. Tanto como compará-la a Jânio e Collor. Depois de anos desconstruindo o legado tucano, o PT tenta destruir a imagem de Marina, ex-companheira de tantos anos”. A jornalista, que diariamente destila seu ódio ao chamado “lulopetismo”, não aceita que se critiquem os notórios vínculos de Marina Silva com os agiotas do capital financeiro.
O artigo de Eliane Cantanhêde pode indicar uma inflexão da oposição neoliberal que foi apeada do poder em 2002. Seu candidato era Aécio Neves, mas ele não decolou – talvez o “aecioporto” na fazenda do tio-avô esteja interditado. Marina Silva foi insuflada para viabilizar o segundo turno, só que ocorreu uma overdose de exposição e ela atropelou o cambaleante tucano – sem direito a bafômetro. Diante do cenário desesperador, não resta alternativa. Aécio Neves pode até resistir, mas não pode prejudicar o segundo turno e, pior ainda, inviabilizar a ida do PSDB, do DEM e de outras tranqueiras neoliberais para um eventual governo de Marina Silva. Daí a orientação eleitoral da “calunistas” da Folha.
Há vários sinais que indicam esta inflexão. Ricardo Noblat, outro opositor ferrenho do atual governo, postou uma notinha venenosa em seu blog, hospedado no jornal O Globo, nesta quinta-feira (11): “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez chegar sua opinião a Aécio Neves, candidato do PSDB à vaga de Lula: bater em Marina Silva, como Aécio está batendo, é fazer o jogo do PT, do governo e de Dilma... A opinião de Fernando Henrique é compartilhada pelos partidos que apoiam Aécio. Se dependesse deles, o DEM à frente, Aécio renunciaria à candidatura para apoiar Marina desde já”. Até os ingênuos que acreditam na falácia da “nova política” devem estar desconfiados diante destras tramoias.
Altamiro Borges

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