A multiplicação do número de vítimas civis, de dramas humanitários e o não estabelecimento da paz são consequência das intervenções militares nos conflitos pelo mundo, apontou a presidenta Dilma Rousseff em seu discurso, nesta quarta-feira (24), na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Ela voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança.
“Não temos sido capazes de resolver velhos contenciosos, nem de impedir novas ameaças. Isso está claro na persistência da Questão Palestina; no massacre sistemático do povo sírio; na trágica desestruturação nacional do Iraque; na grave insegurança na Líbia; nos conflitos no Sahel e nos embates na Ucrânia. (…) Não podemos aceitar que essas manifestações de barbárie recrudesçam, ferindo nossos valores éticos, morais e civilizatórios”, enfatizou.
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| Dilma na abertura do Debate Geral da 69ª Assembleia da ONU. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR. |
Dilma afirmou que o Conselho de Segurança tem falhado na mediação pacífica e que o uso da força tem sido incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos. Ela avaliou que no próximo ano, quando a ONU completa 70 anos, é o momento adequado para avançar em uma reforma do Conselho, tornando-o mais representativo, legítimo, eficaz e adequado às realidades contemporâneas.
“A cada intervenção militar, não caminhamos para a paz, mas, sim, assistimos ao acirramento desses conflitos. (…) O Conselho de Segurança tem encontrado dificuldade em promover a solução pacífica desses conflitos. Para vencer esses impasses será necessária uma verdadeira reforma do Conselho de Segurança, processo que se arrasta há muito tempo. (…) Estou certa de que todos entendemos os graves riscos da paralisia e da inação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.”
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também avalia que o cenário atual é preocupante. “O horizonte de esperança escureceu” disse ele. “Tem sido um ano terrível para os princípios da Carta das Nações Unidas, com bombas de barril, decapitações (…) e ataques a escolas da ONU”. Segundo ele, crises se acumulam, a diplomacia está na defensiva, a diversidade está sob ataque e o desarmamento é visto como um sonho distante.
Conflito Israel-PalestinaDilma chamou atenção à crise entre Israel e Palestina. “Gostaria de reiterar que não podemos permanecer indiferentes à crise israelo-palestina, sobretudo depois dos dramáticos acontecimentos na Faixa de Gaza. Condenamos o uso desproporcional da força, vitimando fortemente a população civil, mulheres e crianças.”
A presidenta considerou que este conflito vem sendo precariamente administrado e que são necessárias negociações efetivas entre as partes, conduzindo à solução de dois Estados – Palestina e Israel – vivendo lado a lado e em segurança, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas.
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