Ficou célebre a frase dita pelo juiz que condenou o líder socialista Antonio Gramsci: “Temos que impedir esse cérebro de funcionar durante 20 anos”. Parece que a direita brasileira através de seu braço, a mídia, resolveu seguir caminho semelhante. Adaptada à nossa realidade tal sentença parece ter encontrado o seguinte enunciado: “Temos que impedir esses petistas de governar nos próximos mil anos”. O regime que adotou tal fórmula, sabemos, passou para a história como sendo um dos seus mais execráveis capítulos. Gramsci mofou atrás das grades e, quando sua saúde já estava bastante debilitada, IL Dulce ordenou libertá-lo para evitar possível reação caso sua morte ocorresse no cárcere.
Pode que muitos (pouquíssimos é verdade) questionem alguém de estar a fazer uma aproximação entre o que se passou na Itália sob o fascismo e o que está acontecendo em nosso país. Porém, observando a abjeta estratégia de silenciamento a tudo quanto de bom que foi realizado nos últimos anos no Brasil, fazer tão comparação, não me parece nenhum absurdo. Apontar problemas, muitos deles reais, é necessário e próprio da democracia. Porém, o que se está a noticiar em praticamente todos os órgãos de comunicação do país é de fazer inveja àquele italiano que jaz a sete palmos. Uma “verdade única”, sem qualquer chance de resposta é só que se ouve e vê. Artimanha? Astúcia da razão? Ou mais puro embuste regado de requintado formato linguístico, de imagens televisivas de plástica irretocável? Legiões de cidadãos nas ruas exibindo emblemas e militarmente uniformizados não são mais necessários, se consegue o mesmo resultado, ou ainda melhor, através da tecnologia que não dispunham os líderes fascistas de antanho.
Lembro que um dos legados de Gramsci para o melhor entendimento das relações sociais nas sociedades que chamou de avançadas foi a formulação do conceito de hegemonia. Através desse conceito pôs em evidência a centralidade das chamadas superestruturas (constituída pelas instituições, sistemas de ideias, doutrinas e crenças de uma sociedade) para a uma análise histórica mais atualizada. Destacou que nelas, sociedades avançadas, a sociedade civil adquire um papel central, bem como a ideologia, que aparece como constitutiva das relações sociais. A partir disso tornou patente que a direção cultural e ideológica da sociedade passa a ter importância fundamental quando se busca a conquista e a manutenção do poder pela maioria revolucionária. No caso brasileiro é de se perguntar: Em mãos de quem está a direção cultural e ideológica da sociedade? Qual é o veículo propagador da cultura e da ideologia formadora de consensos em nosso país? Qual o senso comum dominante em nosso meio e como ele se traduz em termos políticos?
Oportuno lembrar o conceito de partido do eminente pensador político italiano ao considerá-lo como o responsável pela formação de uma vontade coletiva, “a primeira célula na qual se aglomeram germes de vontade coletiva que tendem a se tornar universais e totais”. Tal conceito sabe-se, gera calafrios nas elites dominantes acostumadas, historicamente, a bancar governos que priorizem a manutenção de seus privilégios ao mesmo tempo em que afastam, o mais possível, o povo do poder. Vale o alerta que organizar a vontade da maioria é uma meta ainda distante, bem como, que tal organização deve ser vista como um desafio que não pode jamais ser colocado de lado em prol das questões ditas imediatas.
Por outro lado sabemos da novidade que significou o PT enquanto primeiro partido verdadeiramente de massas nascido em solo pátrio que, diferentemente dos demais, surgiu de dentro da classe trabalhadora com líderes orgânicos a confirmarem Gramsci: “Existem dois tipos de políticos: os que lutam pela consolidação da distância entre governantes e governados e os que lutam pela superação dessa distância”.
O PT em sua luta para combater o monopólio do poder em mãos de uma elite política egoísta atraiu sobre si rancor dessas elites e a desconfiança de muitos que não conseguem enxergar além do que é veiculado pela embusteira e facciosa mídia verde-amarela. Sua permanência no poder representa a continuidade de políticas que representam avanços significativos para a maioria do povo excluído e que só serão garantidos com a vitória por nenhuma outra candidata que não Dilma Rousseff.
Finalizo com a advertência do mestre sardo:
“Condenamos em bloco o passado quando não conseguimos diferenciarmo-nos dele.”
Juarez Magno Nunes
No Imagem Política

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