Hoje, em coletiva concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, a candidata Marina Silva tocou em temas polêmicos e controversos levantados após a apresentação de seu programa de governo no último dia 29.
Ao ser questionada sobre as duas erratas que apresentou às propostas, uma relativa à energia nuclear e outra aos direitos LGBTT, Marina afirmou que seu programa foi construído com ampla participação da sociedade e que as mudanças ocorreram por “falha no processo”, que fizeram com que duas questões fossem colocadas “inadequadamente”. Isso levanta dois questionamentos: ou o programa de governo não foi revisado pela candidata, o que é grave; ou Marina cedeu às pressões externas em detrimento das revindicações dos grupos organizados que participaram da elaboração de suas propostas, o que é mais grave ainda.
Outro ponto levantado por Marina é de que teria sido prejudicada pelos cartórios e pela legislação eleitoral na criação de seu partido, o Rede Sustentabilidade. “Sou o primeiro partido clandestino da democracia”, declarou. Vale lembrar que o partido de Marina não pôde ser registrado porque não conseguiu reunir as assinaturas mínimas necessárias(link is external).
Marina também deu um passo em falso ao afirmar que o Brasil não cresce, que apresenta juros altos e que sofre agora os efeitos da crise, quando o mundo todo começa a se recuperar. Lembramos à candidata que a crise econômica internacional desempregou 60 milhões de pessoas no mundo todo. No Brasil, só no primeiro semestre de 2014, foram criados 588.671 empregos(link is external) com carteira assinada. E temos a menor taxa de juros dos últimos 25 anos.
Marina reafirmou que quer, sim, a autonomia do Banco Central. Nós já explicamos como isso pode ser ruim para a vida dxs brasileirxs. Essa medida está em consonância com as práticas neoliberais que visam, sobretudo, aos interesses do mercado financeiro. Sobre isso, Marina afirmou com todas as letras: “as conquistas econômicas precisam ser consolidadas neste governo e não podem ser colocadas como a política econômica do Aécio, mas sim como a nossa política”. Ao fazer tal afirmação, Marina declara, de uma vez por todas, que seu programa está alinhado com a política neoliberal praticada pelos tucanos.
Ao falar do Banco Central, Marina disse também que o BNDES está sendo usado para fins políticos, o que não condiz com a verdade. O BNDES é usado para o desenvolvimento do Brasil e das empresas brasileiras e, como a presidenta Dilma já explicou, sem crédito aos bancos públicos, não existiriam programas como o Minha Casa Minha Vida, por exemplo.
A candidata já havia sinalizado anteriormente que não vai conversar com a ampla maioria de partidos e parlamentares do Congresso Nacional. Questionada se isso não dificultaria a governabilidade, Marina respondeu que só “governará com os bons”. Vale lembrar, como bem disse a presidenta Dilma, que em uma democracia, quem não governa com partidos, está flertando com o autoritarismo.
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