Ato inspirado no Churrascão da Gente Diferenciada contou com apresentações musicais e manifestações contra apoio da mídia tradicional à candidatura Aécio
por Natalia Mendes
São Paulo – Ontem (14), a Praça Roosevelt começou a encher antes das 19h, horário para que estava marcado o Churrascão da Gente Desinformada. O ato, organizado pelo coletivo Fora do Eixo, PT, PCdoB e UNE foi realizado em repúdio à declaração do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que afirmou que o eleitor petista é "menos informado" em entrevista recente ao portal UOL.
Entre os presentes na praça se viam muitas bandeiras da candidata à reeleição à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), jovens, idosos e crianças. Centenas de pessoas. De movimentos sociais a artistas. Gente de diferentes regiões da cidade de São Paulo e do país.
Alguns foram até a praça pelo passeio, que teve apresentações musicais intercaladas com falas favoráveis a Dilma e foi encerrado com a transmissão do primeiro debate do segundo turno entre os presidenciáveis. Outros estavam ali por não concordar com a declaração de FHC, nem com as propostas do adversário de Dilma, o candidato tucano Aécio Neves.
'Funk é 13'
A programação começou com a Liga do Funk, grupo com cerca de 50 integrantes de diferentes lugares da capital paulista. A apresentação garantiu a animação da plateia, já grande, que se mantinha colada ao pequeno palco, onde MCs se apertavam e revezavam o microfone.
"Quem quer que a esquerda ganhe?", pergunta um deles. E logo emenda com uma exaltação à presidenta Dilma e o 'clássico' "eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar."
A agitação de alguns membros do grupo é grande e resulta em um som paralelo, logo atrás do palco. "O funk é 13", canta um manifestante, em alusão ao número do PT nas eleições.
Thiago Biano, 26 anos, morador do Grajaú e um dos DJs da Liga do Funk, diz que foi ao evento porque o grupo foi convidado, mas que não vai votar nem em Dilma nem em Aécio, pois "não tem em quem votar."
Biano trabalha com desenvolvimento de sites e tem uma loja virtual de roupas. Conta que aprendeu tudo sozinho.Ao saber da declaração de FHC, ironiza "sou desinformado e voto nulo."
Já MC Chavas, 19 anos, morador do Itaim Paulista, vai votar na candidata petista. No entanto afirma que não faz essa escolha "com muita alegria". Diz que é por "falta de opção". O MC comenta que não pode "se iludir", que é preciso cobrar saúde, educação. Atrás dele, alguém no palco puxa a plateia: "Dilma-lá, brilha uma estrela."
O MC conta que o governo do PT ajuda o funk, por meio de incentivos culturais, mas que ainda é pouco. Interessado em política, diz que Levy Fidelix, candidato do PRTB à presidência no primeiro turno, foi machista com a candidata do Psol, Luciana Genro, durante debate. Ele avalia que a psolista foi a única a se preocupar em colocar em pauta o direitos das mulheres.
"Desinformado é o FHC", destaca Chavas, que conta com orgulho que aprendeu praticamente sozinho webdesign, programação, desenvolvimento de software, entre outras habilidades. Fez mais de 300 sites, revela.
Sem água, com críticas
Aos poucos, praça e os arredores são tomados. Os bares também lotam, mas estão sem água. Segundo o funcionário de um dos estabelecimentos, todos os dias a água falta entre 20h e meia noite.
Contudo nem a "seca" consegue desanimar os participantes. No microfone, pessoas se revezam para declarar votos e explicar motivos. Críticas à "postura elitista" do candidato Aécio Neves e da grande parcialidade da mídia tradicional são constantes nos discursos.
"Disseram que seria dez minutos para cada candidato na propaganda eleitoral no segundo turno, mas não é isso que eu vejo. São 40 minutos pro Aécio e 10 pra Dilma", afirma um membro do movimento hip hop, que acredita que o "tempo a mais" de propaganda para Aécio é dado pela mídia tradicional.
Fernando Henrique Cardoso é lembrado novamente. Um ator nordestino que mora em São Paulo grita: "Nordestino não é burro, nordestino quer qualidade de vida."
MC Crespo canta o resultado das eleições do poder legislativo "parabéns coronéis, vocês venceram outra vez, o congresso é de vocês."
A escritora negra Tula Pilar declara, com convicção, o voto em Dilma. Mineira, reside em São Paulo há 20 anos. Foi empregada doméstica e conta que quase morou na rua depois que uma "patroa" a demitiu porque ela queria "muitos direitos."
Tula foi do Sindicato das Domésticas na época da aprovação da PEC das Domésticas, emenda que garante direitos trabalhistas para profissionais da área. A poetisa demonstra satisfação ao contar que conseguiu completar o ensino médio na Educação de Jovens e Adultos (EJA), e revela que fez diversas capacitações.
A animação ao relembrar da própria história, rivaliza com a ansiedade para acompanhar o debate dos presidenciáveis. Tula se junta ao número já bem reduzido de pessoas que continuam na praça, mas que comemoram e vaiam como se assistissem a um jogo de futebol.
Rede Brasil Atual
por Natalia Mendes
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| DANILO RAMOS / RBA Praça Roosevelt, centro da capital. Ato repudia preconceito demonstrado por FHC contra eleitores do PT |
São Paulo – Ontem (14), a Praça Roosevelt começou a encher antes das 19h, horário para que estava marcado o Churrascão da Gente Desinformada. O ato, organizado pelo coletivo Fora do Eixo, PT, PCdoB e UNE foi realizado em repúdio à declaração do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que afirmou que o eleitor petista é "menos informado" em entrevista recente ao portal UOL.
Entre os presentes na praça se viam muitas bandeiras da candidata à reeleição à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), jovens, idosos e crianças. Centenas de pessoas. De movimentos sociais a artistas. Gente de diferentes regiões da cidade de São Paulo e do país.
Alguns foram até a praça pelo passeio, que teve apresentações musicais intercaladas com falas favoráveis a Dilma e foi encerrado com a transmissão do primeiro debate do segundo turno entre os presidenciáveis. Outros estavam ali por não concordar com a declaração de FHC, nem com as propostas do adversário de Dilma, o candidato tucano Aécio Neves.
'Funk é 13'
A programação começou com a Liga do Funk, grupo com cerca de 50 integrantes de diferentes lugares da capital paulista. A apresentação garantiu a animação da plateia, já grande, que se mantinha colada ao pequeno palco, onde MCs se apertavam e revezavam o microfone.
"Quem quer que a esquerda ganhe?", pergunta um deles. E logo emenda com uma exaltação à presidenta Dilma e o 'clássico' "eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar."
A agitação de alguns membros do grupo é grande e resulta em um som paralelo, logo atrás do palco. "O funk é 13", canta um manifestante, em alusão ao número do PT nas eleições.
Thiago Biano, 26 anos, morador do Grajaú e um dos DJs da Liga do Funk, diz que foi ao evento porque o grupo foi convidado, mas que não vai votar nem em Dilma nem em Aécio, pois "não tem em quem votar."
Biano trabalha com desenvolvimento de sites e tem uma loja virtual de roupas. Conta que aprendeu tudo sozinho.Ao saber da declaração de FHC, ironiza "sou desinformado e voto nulo."
Já MC Chavas, 19 anos, morador do Itaim Paulista, vai votar na candidata petista. No entanto afirma que não faz essa escolha "com muita alegria". Diz que é por "falta de opção". O MC comenta que não pode "se iludir", que é preciso cobrar saúde, educação. Atrás dele, alguém no palco puxa a plateia: "Dilma-lá, brilha uma estrela."
O MC conta que o governo do PT ajuda o funk, por meio de incentivos culturais, mas que ainda é pouco. Interessado em política, diz que Levy Fidelix, candidato do PRTB à presidência no primeiro turno, foi machista com a candidata do Psol, Luciana Genro, durante debate. Ele avalia que a psolista foi a única a se preocupar em colocar em pauta o direitos das mulheres.
"Desinformado é o FHC", destaca Chavas, que conta com orgulho que aprendeu praticamente sozinho webdesign, programação, desenvolvimento de software, entre outras habilidades. Fez mais de 300 sites, revela.
Sem água, com críticas
Aos poucos, praça e os arredores são tomados. Os bares também lotam, mas estão sem água. Segundo o funcionário de um dos estabelecimentos, todos os dias a água falta entre 20h e meia noite.
Contudo nem a "seca" consegue desanimar os participantes. No microfone, pessoas se revezam para declarar votos e explicar motivos. Críticas à "postura elitista" do candidato Aécio Neves e da grande parcialidade da mídia tradicional são constantes nos discursos.
"Disseram que seria dez minutos para cada candidato na propaganda eleitoral no segundo turno, mas não é isso que eu vejo. São 40 minutos pro Aécio e 10 pra Dilma", afirma um membro do movimento hip hop, que acredita que o "tempo a mais" de propaganda para Aécio é dado pela mídia tradicional.
Fernando Henrique Cardoso é lembrado novamente. Um ator nordestino que mora em São Paulo grita: "Nordestino não é burro, nordestino quer qualidade de vida."
MC Crespo canta o resultado das eleições do poder legislativo "parabéns coronéis, vocês venceram outra vez, o congresso é de vocês."
A escritora negra Tula Pilar declara, com convicção, o voto em Dilma. Mineira, reside em São Paulo há 20 anos. Foi empregada doméstica e conta que quase morou na rua depois que uma "patroa" a demitiu porque ela queria "muitos direitos."
Tula foi do Sindicato das Domésticas na época da aprovação da PEC das Domésticas, emenda que garante direitos trabalhistas para profissionais da área. A poetisa demonstra satisfação ao contar que conseguiu completar o ensino médio na Educação de Jovens e Adultos (EJA), e revela que fez diversas capacitações.
A animação ao relembrar da própria história, rivaliza com a ansiedade para acompanhar o debate dos presidenciáveis. Tula se junta ao número já bem reduzido de pessoas que continuam na praça, mas que comemoram e vaiam como se assistissem a um jogo de futebol.
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