Alessandra CorrêaDe Winston-Salem (EUA) para a BBC Brasil

EUA vinham pagando compensação a produtores brasileiros, mas
recursos foram suspensos por cortes

Brasil e Estados Unidos assinam nesta quarta-feira um acordo que deverá encerrar uma disputa de mais de uma década entre os dois países sobre subsídios dados aos produtores americanos de algodão.

Os ministros da Agricultura, Neri Geller, e das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo deverão assinar o acordo com o representante de Comércio dos EUA, Michael Froman, na manhã de quarta-feira.

Segundo fontes próximas às negociações, o acordo está na fase final, faltando apenas alguns ajustes.

Pelo acordo, os EUA pagarão cerca de US$ 300 milhões ao Brasil para que o país não recorra a um novo painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) até 2018.

O dinheiro seria uma compensação aos produtores brasileiros afetados pela nova lei agrícola americana, a Farm Bill, promulgada no início do ano.
Disputa

O contencioso do algodão foi aberto na OMC em 2002. O Brasil acusava os EUA de adotarem práticas que favoreciam seus produtores de algodão.

Em 2009, a OMC determinou que os subsídios eram ilegais e autorizou o Brasil a retaliar os EUA em US$ 829 milhões.

Para evitar a retaliação, os EUA se comprometeram a pagar US$ 147,4 milhões por ano aos produtores brasileiros, como compensação pelos subsídios pagos aos cotonicultores americanos.

Em 2010, foi fundado o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), para gerir esses recursos e promover o fortalecimento da produção no Brasil.

Em outubro do ano passado, porém, os EUA interromperam o pagamento.

Desde então, os dois países vinham buscando uma solução que evitasse uma retaliação brasileira.

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