Segundo semanário, presidente norte-americano congratulou mediação de mandatário uruguaio em negociação histórica entre os dois países vizinhos
Pouco tempo depois de participar do acordo diplomático com o governo dos Estados Unidos que possibilitou a libertação de seis presos de Guantánamo, o presidente do Uruguai, José Mujica, se engajou também em outro projeto: a retomada das relações entre EUA e Cuba, interrompidas há mais de 50 anos. O governante norte-americano, Barack Obama, reconheceu o papel do uruguaio no processo, agredecendo Mujica pela mediação entre os dois países.
De acordo com fontes do governo norte-americano ao semanário uruguaio Búsqueda, a ex-embaixadora Julissa Reynoso chamou Mujica para transmitir “agradecimento e reconhecimento” de Obama pelos esforços do presidente uruguaio ante os irmãos Castro. Nesta quarta-feira (17/12), Havana e Washington anunciaram uma série de medidas para retomar contato.
Nesse contexto, Mujica teria sido o responsável por enviar uma mensagem de Obama para os Castro: que os EUA estavam dispostos a chegar a um acordo com Cuba. Há dez dias, o mandatário uruguaio havia antecipado ao veículo local que antes do fim de 2014 haveria novidades entre Cuba e EUA, depois de conversar com o líder cubano Raúl Castro.
Segundo o Búsqueda, a mediação de Mujica começou há mais de um ano em Havana, seguiu em Washington e se concretizou na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, durante a cúpula do G 77, em meados de junho de 2014.
Além de Obama, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, elogiou o presidente uruguaio ontem, durante a 47ª Cúpula do Mercosul na Argentina. “Eu quero dirigir-me muito especialmente ao companheiro Pepe Mujica para manifestar minha alegria pelo privilégio de tê-lo conhecido e pelo seu convívio”, declarou Dilma.
“Tenho emoção – e olha que eu estou me emocionando viu, Pepe – por contar com sua amizade e meu imenso agradecimento por ter contado com a sua colaboração”, disse, com os olhos embargados. “Seu legado ultrapassa o Uruguai e a América Latina e será sempre fonte de inspiração para todos”, completou.
A relevância de Mujica na relação Cuba-EUA não se esgota nas atuais retomadas de negociações: no início do ano o mandatário aceitou abrigar prisioneiros da base militar norte-americana de Guantánamo (situada em Cuba), alegando que a colhida era uma “questão de direitos humanos” para uma prisão que funcionava “como verdadeira vergonha para humanidade”.
No dia 7 de dezembro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos confirmou que seis prisioneiros de Guantánamo foram transferidos da penitenciária e entregues ao governo do Uruguai na condição de refugiados.
Em contrapartida, Mujica já havia também aproveitado a oportunidade para pedir a suspensão do embargo econômico que Washington impõe a Havana.
A remoção dos detentos faz parte dos esforços de Barack Obama para tentar fechar a base de Guantánamo, bandeira de sua campanha à Casa Branca em 2008 e alvo de críticas por maus tratos e violações.
Opera Mundi
Pouco tempo depois de participar do acordo diplomático com o governo dos Estados Unidos que possibilitou a libertação de seis presos de Guantánamo, o presidente do Uruguai, José Mujica, se engajou também em outro projeto: a retomada das relações entre EUA e Cuba, interrompidas há mais de 50 anos. O governante norte-americano, Barack Obama, reconheceu o papel do uruguaio no processo, agredecendo Mujica pela mediação entre os dois países.
De acordo com fontes do governo norte-americano ao semanário uruguaio Búsqueda, a ex-embaixadora Julissa Reynoso chamou Mujica para transmitir “agradecimento e reconhecimento” de Obama pelos esforços do presidente uruguaio ante os irmãos Castro. Nesta quarta-feira (17/12), Havana e Washington anunciaram uma série de medidas para retomar contato.
Efe Barack Obama e José 'Pepe' Mujica conversam diante da imprensa durante encontro no início de maio deste ano na Casa Branca
Nesse contexto, Mujica teria sido o responsável por enviar uma mensagem de Obama para os Castro: que os EUA estavam dispostos a chegar a um acordo com Cuba. Há dez dias, o mandatário uruguaio havia antecipado ao veículo local que antes do fim de 2014 haveria novidades entre Cuba e EUA, depois de conversar com o líder cubano Raúl Castro.
Segundo o Búsqueda, a mediação de Mujica começou há mais de um ano em Havana, seguiu em Washington e se concretizou na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, durante a cúpula do G 77, em meados de junho de 2014.
Além de Obama, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, elogiou o presidente uruguaio ontem, durante a 47ª Cúpula do Mercosul na Argentina. “Eu quero dirigir-me muito especialmente ao companheiro Pepe Mujica para manifestar minha alegria pelo privilégio de tê-lo conhecido e pelo seu convívio”, declarou Dilma.
“Tenho emoção – e olha que eu estou me emocionando viu, Pepe – por contar com sua amizade e meu imenso agradecimento por ter contado com a sua colaboração”, disse, com os olhos embargados. “Seu legado ultrapassa o Uruguai e a América Latina e será sempre fonte de inspiração para todos”, completou.
A relevância de Mujica na relação Cuba-EUA não se esgota nas atuais retomadas de negociações: no início do ano o mandatário aceitou abrigar prisioneiros da base militar norte-americana de Guantánamo (situada em Cuba), alegando que a colhida era uma “questão de direitos humanos” para uma prisão que funcionava “como verdadeira vergonha para humanidade”.
Wikicommons Ex-prisioneiros de penitenciária norte-americana em solo cubano agradeceram Mujica pela acolhida
No dia 7 de dezembro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos confirmou que seis prisioneiros de Guantánamo foram transferidos da penitenciária e entregues ao governo do Uruguai na condição de refugiados.
Em contrapartida, Mujica já havia também aproveitado a oportunidade para pedir a suspensão do embargo econômico que Washington impõe a Havana.
A remoção dos detentos faz parte dos esforços de Barack Obama para tentar fechar a base de Guantánamo, bandeira de sua campanha à Casa Branca em 2008 e alvo de críticas por maus tratos e violações.
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