Há nos mercados o fenômeno recorrente do “overshooting”.
Trata-se de um empurrão dos especuladores em cima de tendências de alta ou baixa de determinados ativos.
O jogo é conhecido desde sempre:
No mercado, existem os estoques (a quantidade total de ações de uma empresa) e os fluxos (as negociações diárias de suas ações).
Em geral, negociam-se diariamente frações ínfimas do capital de uma empresa.
Só que o preço registrado no final do dia é utilizado para precificar todo o estoque de papéis existentes.
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O que os especuladores fazem é identificar a fase inicial de alta ou de baixa e acentuarem esses movimentos para baixo ou para cima.
Para cima, o jogo de sedução começa assim.
O especulador identifica um determinado ativo barato. Se está barato, é porque é pouco negociado, tem baixa liquidez. Portanto, bastam poucas operações de compras sucessivas para elevar as cotações, mesmo sendo inexpressivas em relação ao estoque existentes daqueles ativos. Com isso, chama a atenção de novos investidores que passam a “descobrir” o ativo.
Cria-se, então, a bolha. Cada novo investidor compra a ação achando que irá encontrar na frente outro investidor disposto a pagar mais caro ainda pelo papel.
Até o momento que os espertos julgam que o papel bateu no pico. Aí, começam a desovar as ações que compraram. O movimento se inverte e há uma corrida que termina por provocar uma queda acentuada nas cotações.
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Na queda, o movimento é similar, mas em mão inversa.
Há um conjunto de eventos negativos em relação a determinado papel. Torna-se difícil para o não especialista avaliar o peso daqueles eventos, ou das manchetes, no futuro da companhia.
Esse lusco-fusco é o terreno ideal para o “overshooting” para baixo.
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Hoje em dia, há os seguintes fatores contra a Petrobras:
Os efeitos da Operação Lava Jato.
Seus desdobramentos no mercado nova-iorquino, com as ações dos escritórios de advocacia e as investigações da SEC (a Comissão de Valores Mobiliários local) com implicações sobre a captação de recursos no mercado.
A indefinição em relação ao futuro da diretoria.
A queda nas cotações internacionais de petróleo, afetando as petroleiras como um todo.
A partir de ontem, a crise russa se agravando, trazendo dúvidas sobre o mercado cambial.
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Por outro lado, a Petrobras é uma companhia com produção crescente no pré-sal. Atualmente, grande parte do investimentos está na fase pré-operacional.
A produção do pré-sal começa a aumentar sistematicamente. As refinarias começam a produzir. A empresa já renegociou todos os investimentos que venciam nos próximos meses. O preço de equilíbrio do pré-sal suporta um nível menor de cotação de petróleo.
Além disso, a combinação de preço de petróleo em queda e de dólar em alta melhora a rentabilidade da empresa nas vendas internas.
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Todos esses fatores são ponderados pelos grandes investidores. Na balança, a relação entre a solidez e o futuro da companhia é incomparavelmente maior do que os problemas que enfrenta hoje em dia.
Ao menor sinal de que o cenário está desanuviando, as ações voltarão a recuperar o valor.
Perderão apenas os investidores que entraram em pânico e venderam seus papéis no meio do tiroteio.
GGN

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