21 de dezembro de 2014
por Paulo Moreira Leite

Quem acredita que Dilma não tem outra saída deve temer as profecias que se auto-realizam e duvidar de palavras imponentes e vazias

Para muitos observadores, a saída de Graça Foster da presidência da Petrobrás é caso resolvido. Pessoas bem informadas e analistas competentes têm certeza disso. Tenho dúvidas.

O argumento mais conhecido para defender a decisão é uma dessas profecias que se auto-realizam. Graça não teria “credibilidade” para permanecer no cargo. Não teria “condições” de permanecer a frente da maior empresa brasileira.

É subjetivo demais.

O tempo me permitiu assistir a muitos escândalos políticos para reconhecer palavras vazias, que todos repetem como se fossem sinônimos de verdades profundas e indiscutíveis. Sua origem está em dicionarios de marketing. “Credibilidade” e “condições” são apenas as mais conhecidas de uma longa lista.

Servem para justificar mudanças políticas de aparência bem intencionada mas que frequentemente se mostram contraproducentes e temerárias.

Na maioria das sociedades, quem confere — ou retira — a credibilidade de uma pessoa são os meios de comunicação. São eles que dizem que a palavra de uma autoridade merece — ou não — a confiança do cidadão. Podem levar a sério ou desprezar seus argumentos. Podem lhe dar espaço ou podem promover um massacre. Tudo depende de sua visão sobre a personagem. Num país onde os meios de comunicação retratam um lado só, raciocinam por um pensamento único, nós sabemos o que acontece.

Não vamos nos iludir. Para além das disputas de natureza jurídica-policial, a disputa mais importante no escândalo da Petrobras não está à vista da maioria dos cidadãos e envolve o futuro da empresa.

A pergunta é saber se haverá uma reversão nas mudanças de envergadura ocorridas após a posse de Lula, ou se, após a guerra de nossos dias, será possível manter conquistas que permitirão ao país dispor de uma das maiores empresas do mundo, com capital, quadros e conhecimentos para ser um instrumento para um desenvolvimento relativamente autônomo da nação. Estamos falando do pré-sal, da reserva para a industria local, de compromissos que vão além das lucros na contabilidade e dos pregões da Bolsa. O ponto central em debate sobre a permanência de Graça reside aí.

Num país onde se fala um idioma de significados trocados, uma novilíngua no melhor estilo da obra de George Orwell, credibilidade tornou-se sinônimo de ” aprovação do mercado”, ” condições” podem ser traduzida por ” apoio da mídia.” São essas forças que querem mudar a presidência da Petrobras. Para fazer o que?

Em nome de quais compromissos?

Alguém tem duvida sobre o figurino e o perfil de executivos “críveis” na atual situação? O que deverão dizer? O que irão prometer? Em quais armários irão revirar, em busca de quais esqueletos? Sob quais ” condições”?

Este é o ponto central da discussão.

Mais do que uma mudança de dirigentes, o que a população espera, da Petrobras, são explicações, amplas, completas. Não vejo reparos de natureza ética a fazer contra Graça Foster. Minha restrição é política. O silêncio estratégico, defensivo, tem sido um grande erro.

Até o momento, as historias e os personagens a Operação Lava Jato tem sido narradas, explicadas e interpretadas pelos adversários do governo e inimigos históricos da Petrobras, o que inclui os principais meios de comunicação do país, não custa lembrar. As respostas e investigações alternativas, que ajudarim a formular uma visão mais completa do que ocorre, são raras.

Se você passar numa banca de jornais e comprar a revista Caros Amigos — sim, a velha e boa Caros Amigos — poderá ler uma boa reportagem de Raimundo Pereira sobre o caso. Não resolve todas as dúvidas. Não desmente tudo o que se disse. Mas tem fatos e argumentos, ao longo de seis páginas, para lembrar que é preciso ter muito cuidado quando as fortalezas da ordem se unem para criar um inimigo comum.

Motivo de justo orgulho da maioria dos brasileiros, a Petrobras transformou-se, na Operação Lava Jato, no alvo do maior ataque já disparado contra uma empresa brasileira em qualquer época e um dos maiores na história do capitalismo mundial.

Nem traficantes de escravos apanharam tanto, no seculo XIX. Nem grandes financiadores da tortura levaram tanta porrada, no século XX. Mas a Petrobras, que transformou o país num dos líderes na produção de petróleo no mundo, desmoralizando supostos sábios que teimavam em dizer que nossa geologia jamais permitiria tal coisa, pode ser colocada numa situação de risco.

O projeto é não deixar pedra sobre pedra — e por isso o espetáculo do escândalo não pode parar.

No início das investigações sobre a Petrobrás, o alvo nobre era Sergio Gabrielli, o ex-presidente. Era uma tentativa para chegar até Lula. O alvo nobre hoje é Graça. A meta é Dilma.

Estou errado?

Paulo Moreira Leite

1 Comentários

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

  1. Todos sabem que Graça Foster ja entrou na petrobras quando justamente a midia tentava acabar com a reputaçao de Sergio Gabrieli, entao tira-la petrobras é satisfazer a vontade de organizaçoe criminisas travestidade de MIDIA GOLPISTA que quer a todo custo emplaca nomes de gente a confiança dos EUAna petrobras paa facilita a venda da mesma. NINGUEM tem nada contra Graça e sabem que ela é de bom carater otima reputaçao, competente e que ela vem cercando a corrupçao e isso esta exatamente incomodando os senhors feudais do petroleoi que quertem a todo custo controlar todo o mercado mundial para isso eles estao dispostos a gastar muitos milhoes de dolares com espionagem, corrupçao, compra dce politicos assassinatos como de Campos. enfim eles chegram as ultimas consequencias se for preciso.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads