Protesto juntou centrais sindicais contra medidas de austeridade apresentadas pelo governo conservador. Sindicatos prometem novos protestos se o primeiro-ministro não recuar.


“Nunca houve uma greve com esta adesão, uma frente sindical assim unida, do Norte
ao Sul, do Leste ao Oeste”, afirmou Marie-Hélène Ska, secretária-geral da CSC.

A greve, que já foi classificada de histórica pelos sindicatos, parou praticamente todo o país. Se foi claramente notória no setor dos transportes e nos serviços públicos, não ficou atrás no setor privado, onde várias grandes empresas do país ficaram de portas fechadas.

A paralisação, que juntou as principais centrais sindicais, a CSC de inspiração cristã e a FGTB de orientação socialista, teve como alvo o plano de austeridade do governo de direita, que prevê cortes na ordem dos 11 mil milhões de euros, o aumento da idade da reforma de 65 para 67 anos e a suspensão da atualização anual dos salários de acordo com a inflação.

A força do protesto começou a sentir-se logo no domingo. A partir das 22h (21h em Lisboa) nenhum avião aterrou ou descolou no país, o que provocou, só em Bruxelas, o cancelamento de mais de 600 voos.

Segundo a AFP, os comboios pararam completamente, tal como os dois principais portos belgas. Na larga maioria das cidades não existiu qualquer tipo de serviço de transporte público, dado o impacto esmagador da greve no setor.

As principais zonas industriais contaram com mobilizados piquetes de greve, que levaram eficazmente à paragem da produção e a queixas de “intimidação aos trabalhadores” por parte das associações patronais às autoridades.

“Nunca houve uma greve com esta adesão, uma frente sindical assim unida, do Norte ao Sul, do Leste ao Oeste”, afirmou Marie-Hélène Ska, secretária-geral da CSC. Por sua vez, Marc Globet, líder da FGTB, avisou o primeiro-ministro Charles Michel que “se insistir na mesma lógica autista” de recusa de negociação serão estudadas novas jornadas de protesto.




Esquerda



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