Abaixo, uma seleção de charges que explicam por que é tão difícil pensar um caso complexo com o da revista Charlie Hebdo: há muita coisa em jogo, além da liberdade de expressão, o que já não seria pouca coisa.


Um traço rápido, na verdade um esboço, publicado por Fernando Carvall, do estúdio Saci, em seu perfil pessoal no Facebook, coloca em questão um assunto que passou batido em toda essa discussão: o interesse do incrível mercado de armas que habilita governos imperiais e organizações de diferentes tipos a atuarem de forma extremamente violenta e irresponsável.


R. Dutriex, do La Nouvelle Edition, aponta as contradições da situação pós-ataque. A vidente teria antecipado, atentando contra a credulidade dos chargistas da Charlie Hebdo: “Eu vejo que vocês serão assassinados por terroristas… Em sua memória, os sinos da Notre Dame dobrarão, haverá um grande desfile com François Hollande, Manuel Valls, Nicolas Sarkozy, Jean-François Copé, Angela Merkel, David Cameron e até mesmo Benjamin Netanyahu … Haverá bandeiras tricolores, e cantarão a “Marselhesa”… Vamos propor de colocá-los no Panteão, a Nasdaq e a Academia Francesa dirão “Eu sou Charlie” e o papa rezará por vocês.” Ou seja, as instituições todas de poder tomaram para si todo o discurso de pesar e fizeram sumir toda a rebeldia e a anarquia da Charlie Hebdo.


O brasileiro Vitor Teixeira deixou claro o absurdo da situação: como Netanyahu, aqui visto como um homem-bomba, patrocinador de massacres em Gaza, pode se unir sem pudor a uma marcha contra o terror?


Laerte, sempre: na Folha, a cartunista mostra porque o alvo não são os inimigos declarados dos imigrantes e muçulmanos franceses: o terror também pensa e sabe medir as consequências dos atos. Atingir a esquerda libertária (ainda que muitas vezes irresponsável) faz muito mais sentido, na lógica de tocar fogo no circo.



No céu dos cartunistas, o pessoal da Charlie Hebdo encontra Naji Al-Ali (1937-1987): “Você já estava aqui”, pergunta Cabu, liderando os mortos da Charlie. “Sim, mas o mundo ficou em silêncio quando fui morto pelo Mossad”, o serviço secreto israelense. “Je suis Ali”, diz o alterego do cartunista do Muslim Observer.

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Opera Mundi

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