Parlamento decide votar medidas contrárias ao que é exigido pela União Europeia. Sessão será no mesmo dia em que vence prazo dado pelos europeus para que país prolongue seu programa de resgate.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou nesta terça-feira (17/02) que o Parlamento vai votar na sexta-feira uma série de medidas de cunho social que vão na contramão das recomendações do atual programa de resgate, bancado pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sexta-feira é também a data limite dada pelo Eurogrupo para a Grécia pedir uma extensão do seu programa de resgate, que acaba no fim deste mês. O governo grego não quer estender o programa por discordar das reformas impostas e defende a extensão temporária dos empréstimos da UE, sem contrapartidas.
Segundo Tsipras, as medidas a serem votadas na sexta vão fortalecer os empregados, os desempregados, as pequenas e médias empresas e vão impulsionar a economia. "A Grécia não aceita condições e ultimatos", afirmou Tsipras.
Segundo ele, as medidas sociais vão enfrentar a "crise humanitária causada pelos erros na receita do resgate". "Esta é a dívida que devemos pagar primeiro. Não vamos trair a confiança do povo grego", adiantou.
Tsipras acusou ainda o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, de ter "perdido o sangue frio" e ter se dirigido de modo humilhante à Grécia quando disse ter pena dos gregos durante as discussões do Eurogrupo na segunda-feira, em Bruxelas.
"Com grande respeito e amizade, gostaria de lhe dizer que devia ter pena das pessoas que andam com a cabeça baixa", disse Tsipras.
O governo grego rejeitou o ultimato imposto pelo Eurogrupo e assegurou que não vai pedir um prolongamento do programa de resgate nem com "uma pistola apontada para a cabeça".
"O governo não se deixa chantagear com ultimatos", disse o porta-voz Gavriil Sakelaridis, à cadeia privada de televisão Mega, aludindo ao prazo dado até esta sexta-feira pelo chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, para que a Grécia assine uma extensão do acordo vigente se quiser continuar recebendo ajuda dos seus parceiros.
AS/lusa/afp
DW.DE

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