por Rômulo N. Marcolino
Nos últimos dias o que mais a gente tem comentado é essa turbulência enfrentada pelo governo federal e pelo PT.
No entanto, o mapa astral da oposição e da base rebelde, sobretudo o PMDB, também apontam para um inferno astral.
O procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o advogado do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Operação Lava Jato, era ligado ao PSDB e vazou informações seletivamente para influenciar as eleições realizadas em outubro: “O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo Beto Richa para a coisa de saneamento, tinha vinculação com partido”.
A seletividade dos vazamentos para desestabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff ficou evidente, culminando com a desastrada tentativa da revista Veja de influir na corrida eleitoral, faltando menos 4 dias para o segundo turno das eleições.
Ontem os jornais noticiaram que o senador Aécio Neves (PSDB) era um dos políticos citados nas delações premiadas. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, o nome de Aécio foi citado pelo doleiro Alberto Youssef. Conforme o depoimento, o tucano teria recebido propina, na época em que era deputado federal, proveniente de Furnas e por meio de sua própria irmã. A Folha de S. Paulo informa que os procuradores responsáveis pelo caso teriam solicitado que a Procuradoria-Geral da República pedisse ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra Aécio, mas Janot contrariou os colegas, determinando o arquivamento do pedido de investigação.
A oposição ao governo federal (leia-se partidos políticos PSDB/DEM/PPS e a grande mídia) comemoraram a chegada do deputado Eduardo Cunha (PMDB) à presidência da Câmara, viram ali uma derrota dura para a presidenta da República.
Ele é desafeto declarado da presidenta, tem um passado nebuloso e que isso é de conhecimento público e notório.
O presidente da Câmara é um dos principais nomes do alto escalão da política brasileira que consta das denúncias da Operação Lava Jato, segundo a imprensa nacional.
Cunha é um dos deputados que abocanharam das empresas valores vultosos para sua campanha ao legislativo federal: R$ 6,8 milhões de reais. Não é à toa o seu esforço para barrar a reivindicação de entidades e movimentos sociais pelo fim do financiamento eleitoral por empresas.
O peemedebista foi alvo de ação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio, sob acusação de ter cometido irregularidades como presidente da Companhia Estadual de Habitação em 2000. Segundo a revista CartaCapital publicou em 2007, Eduardo Cunha segurou a renovação da CPMF até que o governo Lula topasse nomear para chefiar Furnas um nome sugerido por ele, a quem caberia designar a diretoria do fundo de pensão da estatal, o Real Grandeza. O episódio é um dos motivos para o ex-ministro Ciro Gomes reservar palavras generosas para Cunha: “Esse cara deve ser, entre mil picaretas, o picareta-mor”.
Eduardo Cunha e o PSDB de Aécio Neves parece terem se entendido nos últimos tempos: ambos rejeitam que as investigações sobre irregularidades na Petrobras cheguem até a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aliás, limitam-se ao período desde o ano de 2005.
Não é de estranhar que paladinos da moralidade façam tantas ressalvas para que seja feita Justiça, investigando e, comprovado, punindo a todos, independentemente de partido ou ideologia.
Na tumultuada primeira sessão da CPI da Petrobras na manhã de hoje (05), o deputado Hugo Motta (PMDB), presidente da CPI, teria feito uma manobra para diminuir o papel do relator, deputado Luis Sérgio (PT), ao anunciar a criação de quatro sub-relatorias que ficarão sob o comando do PSDB, PTB, PSC e PR.
A decisão de Motta foi elogiada pelos tucanos e duramente criticada por PSOL, PT e também pelo deputado Rubem Bueno (PPS), que ameaçou abandonar o bloco (PSDB, PSD e PV) formado na CPI.
Outro nome que os jornais dão como certo na lista de Janot é o do presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB). Calheiros nunca foi tão rebelde em relação ao Planalto, se comparado a seu colega Eduardo Cunha. Mas, assim que ventilou-se que estaria incluso na lista de Janot, o senador tratou de impor derrota ao governo, devolvendo ao governo a Medida Provisória 669, que acabou com a política de desonerações, afirmando considerar a medida inconstitucional.
O affair entre Eduardo Cunha, Renan Calheiros e a oposição não pode passar despercebido. A imagem do senador Aécio Neves afagando Renan Calheiros é tão forte quanto aquela do Lula (PT) dando forte aperto de mão em Paulo Maluf (PP).
Mas, enquanto a grande mídia com seu discurso falsamente moralista explorou largamente a foto do Lula, apontando contradições históricas, dessa vez, passou batida a imagem do tucano que, numa sessão recente do Senado, havia dito ao amiguinho Calheiros: “Vossa Excelência apequena esta Casa”.
Mesmo com o apoio da grande mídia, para dar aparência de mar calmo, a oposição revela que é muito ruim de nado e pode se afogar ainda mais com a Lava Jato. Afinal, o que levou a essa aproximação repentina? Quais os interesses em comum? Derrubar o governo? Chantagear o governo? Dificultar as investigações? Impedir que as investigações cheguem a quem? Aguardemos os próximos capítulos…
Viomundo

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