Sua avaliação é que a crise política é decorrência da crise econômica. Resolvendo o nó político, aprovado o pacote fiscal, as coisas se ajeitam da seguinte maneira:
1. O empresariado passará a acreditar na solidez fiscal.
2. A política monetária do Banco Central reduzirá as expectativas de inflação.
3. Com a queda nas expectativas futuras de inflação, haverá uma diminuição no prêmio de risco das taxas de juros longa, o que poderá ocorrer em meados do próximo ano.
4. Com as taxas despencando, e com as novas condições das concessões públicas, o empresariado voltará a investir, permitindo à economia sair do buraco.
É uma aposta de alto risco, na qual não há espaço para uma estratégia B.
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Dilma joga um jogo no qual precisa passar por vários níveis.
O primeiro nível é se viabilizar politicamente para acabar de aprovar a pauta fiscal.
O caminho natural seria um acordo com um arco - que vem do segundo governo Lula - representado por Lula e os caciques do PMDB. Mas Dilma não quer comprometer um centímetro de sua autoridade futura para a eventualidade de conseguir chegar com segurança ao porto seguro da volta do crescimento. Ela aposta no mercado futuro a descoberto.
O caminho escolhido foi tentar cooptar o baixo clero do PMDB, um corpo amorfo que tem seu centro de gravidade no estado do Rio de Janeiro. Na semana passada ela conseguiu fechar um acordo bem sucedido com o ex-governador Sérgio Cabral, o governador Pezão e o prefeito Eduardo Paes.
Mas é um terreno politicamente fluido, no qual ainda precisa vencer dois obstáculos para passar para o segundo nível: o veto ao reajuste do Judiciário e a aprovação da CPMF.
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Nessa estratégia, a CPMF é a única alternativa que resolve os problemas de caixa com baixo impacto sobre a inflação e sobre o nível de atividade. Mas, na melhor das hipóteses, só começará a surtir efeito em outubro do próximo ano.
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Conquistando a CPMF, vem a parte mais difícil, passar pela terceira etapa.
A estratégia econômica mira um alvo único: os investimentos em infraestrutura. Esses investimentos recuperarão parte do emprego perdido na construção civil e aquecerão a indústria de máquinas e equipamentos. Mas a economia é muito maior e há o risco do chamado fator engarrafamento.
No período anterior, várias setores cresceram de forma acelerada. A todo processo de crescimento corresponde um aumento do endividamento. Quando o crescimento é frustrado, as empresas precisam adequar o endividamento às novas perspectivas de receita. A única saída é renegociar o prazo.
Aí a empresa se depara com queda da demanda privada, queda dos pagamentos públicos (por causa da crise fiscal), aumento dos juros, trancamento do crédito em reais e encarecimento do crédito em dólares. Muitas delas acabarão batendo de frente com o muro e as empresas que vêm atrás - fornecedores - baterão também.
Lá na frente, se a tempestade amainar, haverá investimento apenas da parte dos concessionários. Para o restante da indústria, a capacidade ociosa atrasará por anos a retomada dos investimentos.
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Há uma probabilidade pequena que a estratégia dê certo. E uma maior de não chegar ao fim.
O caminho B seria abandonar o plano Levy. Mas as caravelas foram queimadas.

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