“De acordo com uma teoria feminista radical, a pornografia promove a subordinação da mulher ao treinar seus usuários, tanto homens quanto mulheres, a enxergar a mulher como um objeto sexual sobre o qual os homens devem ter completo controle.”
Essas são as primeiras palavras de um estudo americano realizado na Western University, em Ontario, recém publicado no Journal of Sex Research. E elas traduzem uma realidade.
Não apenas as feministas, mas muitas pessoas têm a ideia de que a pornografia coloca a mulher num patamar rebaixado em relação ao homem, propagando uma imagem de que elas seriam serviçais de nossos desejos.
Muito forte? Mas é o que muito pensam mesmo – e têm suas razões.
Se essa é ou não a proposta dos filmes pornôs nós não sabemos – mas agora sabemos que não é essa a mensagem passada. Ou pelo menos que não é assim que as pessoas que assistem vídeos dessa natureza pensam.
O trabalho, que tem um nome bem grande e eu não vou vou colocar aqui (mas coloco no fim do texto, beleza?), analisou dados da General Social Survey de mais de 24 mil americanos e para provar a hipótese feminista de que as pessoas que assistem pornô tem atitudes mais sexistas do que aqueles que não se deleitam com esses vídeos.
Mas, surpreendentemente – eu diria-, os caras chegaram a uma conclusão que, não apenas não confirmou a hipótese levantada, como revelou que a realidade é o oposto: os (e as) pornôzeiros jogam mais em favor da igualdade de gêneros do que os outros.
“Os usuários de pornografia têm atitudes mais igualitárias – em relação a mulheres em posição de poder, trabalhando fora de casa, e quanto ao aborto – do que os não usuários.”
Ou seja, senhores, os homens e mulheres que assistem pornô apresentaram pontos de vistas mais condizentes com a igualdade de gênero. Não é porque eles viram algum tipo de submissão feminina nos vídeos que pensam que as mulheres têm que ser submissas na vida real.
Mostraram que aceitam melhor o poder das mulheres, a divisão igualitária de papéis na sociedade e todas esses assuntos expostos quando a pauta é machismo.
Outros dados estudados revelaram que esses dois grupos também não diferem quanto à valores familiares tradicionais e na autoidentificação como feministas.
Veja, o trabalho não diz necessariamente que o pornô favorece a igualdade de gêneros, ou que ensina os homens a respeitarem as mulheres. Não! Mas aponta que aqueles que assistem esses vídeos não são mais machistas do que aqueles que não assistem (pelo contrário), colocando por água abaixo a relação positiva entre pornô e sexismo.
Além disso, há vários tipos de filmes dessa natureza hoje em dia. Nem todos os vídeos mostram uma mulher se submetendo à vontade de cinco caras. Há vários trabalhos que seguem outras linhas, como, por exemplo, os da produtora Candida Royalle, que focam no prazer feminino.
Mas ainda não há pesquisas consideráveis analisando esses tipos diferentes de vídeos. “Na verdade, temos pouquíssimos dados atuais sobre como os diferentes tipos de conteúdo sexual, como a pornografia feminista, influenciam nas avaliações sobre mulheres”, disse o pesquisador Taylor Kohut.
Então teremos que aguardar para novos capítulos da polêmica.
E, se preferir, aguarde assistindo…
El Hombre

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