“Eu juro que não sei quem é o japonês aí atrás, mas vou dar um jeito de descobrir”
Carlos Sampaio, Aécio Neves, Hélio Bicudo, kataguiris, revoltados on line e off line — todos eles poderiam se resumir, nesse momento, numa massa amorfa com a efígie de Paulinho da Força.
Com os quilos de batom na cueca de Cunha, passaportes e assinaturas em contas na Suíça, o diabo, Paulinho saiu-se com um pragmatismo enviesado: “O nosso negócio é derrubar a Dilma. Nada nos tira desse rumo”. Nem o Brasil.
E a declaração de princípios: “Estou com ele para o que der em vier.” Bicudo, de seu lado, ao protocolar novamente seu clássico pedido de impeachment, veio com a conversa mole de que quem estava enlameado era a pessoa física de Cunha, não o presidente da Câmara. Por enquanto, até prova em contrário, os dois são o mesmo cidadão.
Paulinho é o retrato de uma oposição sem rumo, histérica, hipócrita, golpista, sem projeto, corrupta, interessada sobretudo em ganhar no grito e apostando na instabilidade.
Os “moralistas sem moral” — um belo achado — estão com um mico na mão, depois de bancar por muito mais tempo do que o recomendável o Cunha. O “rumo” agora é, junto com movimentos de extrema direita, clamar por uma “volta às ruas” de idiotas úteis. Que ruas?
O indignado Paulinho, como era de se esperar, é reu no STF, acusado de beneficiário de um esquema no BNDES. A Procuradoria Geral da República pediu sua condenação por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Como no caso de Cunha, sua mulher também está envolvida, sob a acusação de ter usado a conta corrente de uma ONG presidida por ela para coletar recursos.
Há alguns meses, Eduardo Cunha foi recebido na Força Sindical, a central sindical de que Paulinho é dono, aos gritos de “guerreiro do povo brasileiro” (o bordão mais imbecil de todos os tempos, concorrendo com o hino “sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”).
Os paulinhos estão nus, com o nariz enfiado no saco de um malandro evangélico milionário. O da Força deve achar que uma frase de efeito como “estou com ele para o que der e vier” pega bem. Ele é Butch Cassidy, Cunha é Sundance Kid, brigando contra tudo e contra todos.
Até essa, digamos, amizade, porém, é uma farsa. Como seus amigos do PSDB, assim que Cunha cair, antes ainda de colocar as algemas, ele será o primeiro a alegar que também foi enganado. Quer apostar quanto?

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