Jornal GGN - Mesmo com contas na Suíça confirmadas pela Procuradoria Geral da República com base em documento enviado pelo banco Julius Baer, o deputado e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), disse que não sairá do posto ainda que vire réu na ação por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo Cunha, ele tem "direito à presução da inocência" e vai "persistir" no comando da Casa enquanto não for julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
Em entrevista à colunista da Folha Mônica Bergamo, publicada nesta sexta-feira (9), Cunha reafirmou as informações que prestou na CPI da Petrobras, negando contas estrangeiras em seu nome ou de familiares, além de offshores. Pressionado pela jornalista, ele disse que não vai "cair na armadilha de alimentar essa discussão."
"Eu estou sendo execrado por uma divulgação seletiva, vazada de forma criminosa, para tentar me constranger, como sempre. Meu advogado não quer que eu fale. Quando tivermos conhecimento dos fatos, ele falará por mim", disse o peemedebista. "O meu mandato só pode ser alterado se eu renunciar. E eu não vou renunciar. Não existe impeachment de presidente da Câmara. Aqui é só sob meu juízo próprio. E eu vou persistir", acrescentou.
Seletividade
Cunha voltou a dizer que se acha vítima de uma perseguição política com uso de aparelhos do Judiciário. Desde as primeiras denúncias da Lava Jato, o deputado vem sustentando que o governo tem usado a PGR para atingi-lo. "A minha pergunta é a seguinte: depois de um ano e oito meses de investigação, 39 inquéritos abertos, quem com foro, do PT ou do governo, está denunciado como eu? Tem alguém? Por que esse açodamento comigo? Obviamente há uma escolha."
Passaportes
Apesar de negar as acusações, Cunha tem contas na Suíça beneficiando sua família confirmadas pela Procuradoria Geral da República. Segundo informações da Folha desta sexta-feira (9), o órgão recebeu do Ministério Público suíço cópias dos documentos usados para a abertura da conta no banco Julius Baer. Há passaportes de Cunha, de sua esposa e de uma de suas filhas. É norma no País que os beneficiários de instituições financeiras sejam declarados mesmo que as contas sejam controladas por offshores (empresas de fachada).
Endereço do Rio
O banco Julius Baer já informou às autoridades suíças a existência das contas atribuídas a Cunha onde foram bloqueados US$ 2,4 milhões (R$ 9,3 milhões). Nos formulários para abertura das contas constam como endereço a rua Heitor Doyle Maia, 98, na Barra da Tijuca, no Rio. O imóvel que está em nome da empresa C3 Produções Artísticas, empresa que tem como cotistas Cunha e a mulher, é o endereço residencial do casal, publicou a Folha.
O jornal "O Globo" também divulgou que que duas das quatro contas bancárias atribuídas à família foram fechadas em abril de 2014, mês seguinte à deflagração da Operação Lava Jato.
Impeachment
Abordando as dificuldades do governo Dilma Rousseff mesmo após a reforma ministerial, Cunha disse que analisará o pedido de impeachment assinado por Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior neste feriado. O documento será acolhido ou rejeitado por ele na próxima terça-feira, ocasião em que a oposição se diz pronta para recorrer ao plenário e iniciar o processo de afastamento da petista.
Cunha nega que tenha acertado a manobra do impeachment com a oposição e afirmou que "até agora não houve representação que juridicamente apontasse fato que poderia ser enquadrado como impedimento, um crime cometido no mandato." Ele indicou que são necessários atos cometidos no atual mandato para viabilizar a deposição de Dilma.
O Tribunal de Contas da União, através do ministro Augusto Nardes, apontou na quinta (8) que há uma investigação interna para apurar se as pedaladas fiscais foram praticadas pelo governo em 2015. Nardes disse que há "fortes indícios" de que foram.
GGN

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