Dilma fez o discurso mais contundente de seu governo, incluindo o primeiro mandato.

As dúvidas que pairam: por que o contra-ataque só agora, num congresso da CUT, e não num pronunciamento em cadeia nacional? Uma das respostas possíveis: foi o dia em que Eduardo Cunha apanhou do STF, dando-lhe um respiro.

Dilma expôs o “golpismo escancarado” e o “artificialismo” do impeachment. Insistiu que a briga não é com ela, mas com o que ela representa: “as conquistas do governo Lula”.

O “terceiro turno” começou no dia seguinte à sua eleição, lembrou. Emendou num desafio:

“A sociedade brasileira conhece os chamados moralistas sem moral. E conhece porque o meu governo e o governo do presidente Lula proporcionou o mais enfático combate à corrupção de nossa história. Eu insurjo [sic] contra o golpismo. Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa, para atacar a minha honra? Quem?”

Abordou o golpe. “O que antes era inconformismo, se transformou num claro desejo de retrocesso político. Isso é um golpismo escancarado”, acusou.

“O golpe, que todos os inconformados querem cometer, é mais uma vez, como sempre na história do nosso país, contra o povo. Mas podem ter certeza, não vão conseguir.”

Lula, que fechou o evento com críticas à política econômica, atribuiu a mudança de atitude de sua sucessora ao encontro com Pepe Mujica, um “cara perigoso”. “Os dois se deram muito bem”, disse ele.

As conversas mais importantes, porém, foram com ela mesma.

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