Crises não podem durar para sempre e esta que acossa o Brasil há meses parece ter chegado à hora limite, aquela que indica a marcha dramática para o desfecho. Se a delação do senador Delcidio do Amaral existe e for mesmo homologada pelo ministro Teori Zavascki, como informou na noite desta quinta-feira a Globonews, os desdobramentos serão graves. A oposição política terá encontrado sua bomba atômica. Mas se a delação não foi feita e uma publicação de imprensa emprestou-se para detonar tal notícia como arma política, chegamos ao fim de qualquer racionalidade na guerra fria política que está em curso. Teremos chegado ao ponto em que uma (in) verdade é fabricada, difundida e imposta ao senso geral para garantir o desfecho desejado: o impeachment de Dilma e o sitiamento político de Lula.

Mas ainda que a delação exista e venha a ser homologada, foi espantoso, e indicador dos descaminhos do jornalismo a adesão imediata e absoluta a uma matéria que não apresenta provas do que afirma ter sido dito. Em qualquer democracia onde imperassem o direito ao contraditório, a presunção da inocência e outros pilares do Estado Democrático de Direito notícia de tal gravidade seria dada mas com a reserva necessária, pois provas não apresentou que ratificassem as acusações. O Jornal Nacional tratou da delação com bomba-verdade durante 15 minutos, talvez mais, antes de registrar laconicamente que o senador e seu advogado contestaram a veracidade. Alguma reserva deveria existir em relação ao que diz Delcidio, que se confessou bravateiro em depoimento sobre a gravação de sua conversa com o filho de Nestor Cerveró, qualificando ele mesmo como bravatas as afirmações de que tentaria influenciar ministros do STF. Depois, se confirmada a informação, poderia vir o estardalhaço condizente. Mas o Brasil dormiu amarrado a um grande ponto de interrogação. Mas deixemos Delcídio e a resposta menos ambígua que ficou devendo.

Diante do abalo, o ministro Teori Zavascki não tem outra alternativa senão apressar um esclarecimento, homologando a tal delação ou negando que ela tenha lhe sido apresentada pelos procuradores da Lava Jato.

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