A presidenta Dilma defendeu a democracia em seu discurso durante o lançamento do Minha Casa Minha Vida 3. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Em discurso no início da tarde desta quarta-feira (30), no Palácio do Planalto, durante o lançamento da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, a presidenta Dilma Rousseff defendeu que, apesar de estar previsto na Constituição, o impeachment precisa ser embasado por crimes de responsabilidade, o que não é o caso do processo movido contra o governo na Câmara dos Deputados.
“É absolutamente de má fé dizer que todo impeachment está correto. Exige que se caracterize crime de responsabilidade”, enfatizou. “Impeachment sem crime de responsabilidade é o quê? É golpe. É essa a questão. Não adianta fingir que nós estamos discutindo, em tese, um impeachment. Estamos discutindo um impeachment muito concreto: sem crime de responsabilidade”.
A presidenta destacou que o processo de impeachment não compadece com a trajetória democrática do País depois da redemocratização. “Um dos direitos inalienáveis do povo brasileiro é a democracia. A democracia é um direito que nós conquistamos. Não caiu do céu. A democracia do Brasil não caiu do céu. Ela foi conquistada com muito empenho, com grande participação de todos nós, brasileiros e brasileiras que, ao longo dos anos, resistimos, metabolizamos e, no fim, engolimos a ditadura”.
Dilma também lembrou que o fato de não se gostar de um governo não é argumento para retirar um governante no regime presidencialista, como o brasileiro. A presidenta lembrou que o sistema parlamentarista não está previsto na Constituição do Brasil.
“Somos presidencialistas. Não tem este negócio de que não gosta do governo, o governo cai”, criticou.“Isso só existe no Parlamentarismo. Não é a mim que se tenta atingir. Lamento que se tenha criado este clima de ódio e ressentimentos no Brasil. Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”.
A presidenta lamentou profundamente o clima de ódio e intolerância que se espalhou pelo País em razão da polarização política. “Acho que isso é grave porque a intolerância é a base da violência. Acreditar que o outro não tem direito ou não merece ser tratado com respeito é a base da violência. Isso nós não podemos aceitar no nosso País. No Brasil, o outro não é um estranho, é nosso irmão porque é brasileiro”.

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