A primeira denúncia contra o Fernando Capez foi publicada pelo Estadão em 22 de janeiro. O jornal evitou fazer escarcéu. Não estampou a manchete "Amigo de Alckmin é acusado de roubar merenda" – como costuma fazer com seus adversários políticos. Mesmo assim, deu detalhes sobre o escândalo. A suspeita teve origem na "delação premiada" de dirigentes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), que acusaram tucanos de alta plumagem de receberam propina na compra de alimentos destinados à rede estadual de ensino. Entre os investigados, relatou o jornal, estariam “o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB) Luiz Roberto dos Santos, conhecido como ‘Moita’”.
"Em depoimento à Polícia Civil, os funcionários da Coaf afirmaram que a propina chegava a ser de 25% dos contratos. Eles relataram como eram feitos as entregas de pacotes de dinheiro, depósitos em contas e acertos em postos de combustível às margens de rodovias. Os interrogados pela polícia apontam o deputado Fernando Capez, que é promotor de Justiça e aspira disputar a cadeira de Alckmin em 2018, e Luiz Roberto dos Santos, o 'Moita', que era braço direito do secretário-chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, como beneficiários de propina. Interceptações telefônicas mostram que o deputado tucano é chamado de 'nosso amigo' pelos intermediários de propinas", relatou o jornal.
A Operação Alba-Branca foi deflagrada em 19 de janeiro pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Bebedouro, na região de Ribeirão Preto. Sete pessoas ligadas à Coaf tiveram prisão decretada pela Justiça. Num primeiro instante as apurações apontaram o envolvimento de 22 prefeituras no megaesquema de corrupção. Na sequência, os investigadores informaram que a "máfia da merenda" agiria em 152 cidades do Estado de São Paulo e que já teria inclusive "exportado" seu modelo de corrupção para outros Estados. "Planilha que estava em computador da Coaf, de 2013, lista municípios e os contratos que cada um tem com as cooperativas, numa espécie de loteamento", descreveu a Folha.
Diante da grave denúncia, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa Fruna, pertencente ao ex-chefe de gabinete da Casa Civil de Geraldo Alckmin, o "Moita". "Também foram quebrados os sigilos de um laboratório, já fechado, que pertencia a Luiz Carlos Gutierrez, o 'Licá' – assessor do presidente da Assembleia, Fernando Capez (PSDB) –, e de um escritório de advocacia do qual Licá é sócio... O tribunal atendeu a pedido da Procuradoria-Geral de Justiça, que apura um contrato de R$ 8,5 milhões entre a cooperativa Coaf, que já admitiu ter pagado propina, e o governo de São Paulo", relatou outra reportagem da Folha.
O governador Geraldo Alckmin, que adora visitar os barões da mídia, negou qualquer envolvimento de Fernando Capez, "um homem honrado", e de outros tucanos na máfia da merenda escolar. Como já virou rotina, o assunto sumiu do noticiário dos jornalões, revistonas e emissoras de rádio e tevê. Só a torcida Gaviões da Fiel ainda insiste em alertar os "midiotas". Em todos os jogos do Corinthians ela carrega faixas com a pergunta: "Quem vai punir o ladrão da merenda?". No mês passado, inclusive, ele decidiu arrecadar alimentos para as escolas paulistas. "Faça a sua vez, vamos suprir a merenda do investigado da vez", afirma o slogan da campanha. Já os fascistas mirins, que farão uma nova marcha contra a corrupção neste domingo, talvez até aplaudam o "ético" presidente da Alesp. Haja cinismo!

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