A surpresa do consórcio direitista formado por setores do
judiciário e do ministério público junto com partidos e a mídia
golpista, foi visível ao longo do dia 4, a sexta-feira da indignação, na
maneira acanhada com que, na televisão, se referiam ao sequestro do
ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e à pronta reação que aquele ato
ilegítimo suscitou em todo o país.
Aquela reação foi confirmada no sábado (5) pela divulgação de
pesquisa do instituto Vox Populi mostrando que 56% desaprovaram a
inclusão de Lula na Lava Jato, 65% acharam exagerada a condução
coercitiva, e 57% afirmaram que acreditam em Lula.
Tentaram matar a jararaca e não acertaram a cabeça mas o rabo,
disse Lula no discurso em que, na sexta-feira, em São Paulo, manifestou
seu inconformismo contra o golpe em andamento e demonstrou disposição
para correr o pais do Oiapoque ao Chuí em defesa da legalidade e do
ciclo de mudanças iniciado com sua posse, em 2003. Terão “de me
enfrentar nas ruas deste país", disse. “Sobrevivi à fome, e quem
sobrevive à fome não desiste nunca”, garantiu.
A direita não esperava a reação popular tão intensa, expressiva e
até espontânea. Ao contrário, durante a madrugada anterior à ação ilegal
e golpista, imaginou fazer uma comemoração que não ocorreu!
Puxaram a toalha de nossa festa, poderia dizer, repetindo a reação
do líder direitista Carlos Lacerda em 24 de agosto de 1954 quando o povo
se levantou ao saber da notícia do suicídio de Getúlio Vargas e, nas
ruas, varreu o golpe.
Dramaticidade semelhante em defesa da legalidade ocorre em nossos
dias. E o alvo principal da ação golpista, Lula, manifesta sua
disposição de ir às ruas contra os mesmos reacionários que vitimaram
Getúlio Vargas, há mais de 60 anos. Hoje o combate é o mesmo, em defesa
da democracia, e as ruas mostram semelhante força para barrar o golpe.
Mais: para derrotar os golpistas definitivamente, o que não aconteceu
naquela época; a direita e seus apaniguados só conseguiram dar seu golpe
de estado em abril de 1964.
Hoje, não! A direita e seus associados devem ser derrotados agora e em 2018. Nas ruas e nas urnas!
Este é o grande temor dos conservadores – ficarem reduzidos ao
lugar que lhes cabe na democracia brasileira, o de representar apenas os
setores privilegiados para, se tiverem alguma chance, disputar eleições
presidenciais. No voto, nas urnas, nunca no grito!
Protagonista do golpe contra a democracia e a legalidade, a Rede
Globo tenta ir adiante na ação contra a democracia e escalou, no sábado e
no domingo (4 e 5) dois de seus principais ventríloquos (Ricardo Noblat
e Merval Pereira) para fazerem o apelo de sempre da direita, invocando o
golpismo de setores militares.
Sem êxito. Hoje os militares preferem cumprir as funções que a
Constituição determina e a sociedade espera deles. Não se deixam seduzir
por apelos interesseiros dos conservadores que se opõem às mudanças que
favorecem o povo e fortalecem a nação.
O apelo golpista manifestado por ventríloquos da Globo e da direita
se choca com a sólida muralha legalista formada pela reação popular e
pela consciência democrática brasileira.
O país está dividido, diz a direita. É preciso reconhecer que sim,
está – e quem o divide é justamente a defesa dos interesses
antidemocráticos e ilegais da elite que olha para o país como se fosse
uma propriedade particular sua.
O Brasil está dividido. De um lado, está a minoria privilegiada e
golpista. Do outro, a grande maioria dos brasileiros que querem o
progresso social, o fortalecimento da nação e o bem-estar do povo.
É este Brasil, dos brasileiros, dos trabalhadores, do povo, que
precisa reagir à altura, nas ruas, nos debates, na luta de ideias, para
assegurar o avanço.
A agressão contra Lula é inaceitável porque atinge a própria
democracia para acelerar o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.
Atinge a cada um dos brasileiros!
Em defesa do mandato de Dilma Rousseff e da legalidade, é preciso
uma mobilização intensa e ampla, luta e vigília de todos os democratas,
de todas as forças vivas do povo e dos trabalhadores. A indignação dever
alcançar amplos segmentos sociais para que tomem posição e se insurjam
em defesa da democracia e do ex-presidente Lula.
É preciso realizar, conforme o chamado da Frente Brasil Popular,
grandes atos no dia 18. Há que encher as ruas com as maiores jornadas do
último período, para que os golpistas voltem às suas tocas.
“A democracia vencerá o golpismo!” O golpe não passará!

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