A Justiça brasileira tornou-se sui generis.
Prolata suas sentenças pelos jornais e, pior, condena até mesmo antes de receber a defesa.
Mesmo com o processo tendo sido avocado pelo STF, a República de Curitiba prossegue a todo vapor em sua obsessão: prender o Lula.
Não é uma conclusão, é uma determinação. As razões factuais e documentais, arranjem-se.
Ontem, Ricardo Noblat já se enchia de alegria, com um texto absolutamente novelesco que terminava dizendo que a “Lava-Jato dispõe de indícios e provas suficientes para prender Lula por obstrução da Justiça, ocultação de bens em nomes de terceiros e recebimento de dinheiro por palestras que não fez.”
Vejam que maravilha de Justiça: o sujeito nem acusado formalmente foi e já decidiram prendê-lo.
Coronel da roça, nos anos 30, não faria melhor.
Não é o único caso.
Marcelo Auler, em seu blog, conta também como José Dirceu já foi condenado, um mês antes do julgamento e sem ter sido recebida sua defesa.
Vai-se esperar a formalidade.
Passa-se rapidamente os olhos e manda incluir ali no processo, entre a acusação e a sentença já elaborada.
Mas tem pior, aponta o calejado repórter. Os delatores são procurados para delatar não o que sabem, mas aquilo que se deseja ouvir. É a delação encomendada e descaradamente publicada no Estadão:
A própria reportagem ressalta que, “até março, procuradores da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba consideravam estar a um delator de completar o quebra cabeça acusatório contra Lula – como se tivessem o cenário da imagem já definido, restando apenas uma peça para completar o desenho”. O problema é que este delator ainda não apareceu pois, segundo o Estadão:” A figura do delator bomba é considerada peça faltante ainda no caso do tríplex no Guarujá, que deve ser a segunda peça de acusação formal à Justiça contra Lula, segundo esperam os investigadores. Lula será denunciado nesse caso por lavagem de dinheiro, sendo beneficiado pela OAS, uma das líderes do cartel que atuava Petrobrás, com a reforma e decoração do imóvel com dinheiro oriundo de corrupção. As tratativas para um acordo com o ex-presidente da empreiteira José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, mesmo que distantes de um final, poderão completar esse quadro.O inquérito considerado o mais incipiente é o que trata das palestras, pós-Presidência, via empresa LILS, Palestras, Eventos e das doações ao Instituto Lula. Nessa frente, um delator que confirme que os repasses e pagamentos por palestras podem ter ocultado propina é essencial para investigadores”.
Imaginem o quanto vale ser este “delator que ainda falta” para um sujeito que está em cana, imundo e lambuzado em desvio de dinheiro?
Não há um lugar no mundo que se faça de Estado de Direito que tolere uma Justiça de cartas marcadas assim.
Só o Brasil, capital Curitiba.

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;