As falas do deputado Wladimir Costa (Solidariedade-PA) nos dias 16 e 17 de abril, no Congresso
“Qual o Brasil que você quer? Você quer o Brasil da sujeira, do roubo, dos escândalos, das prisões de parlamentares, deputados, senadores, grandes empresários? Ou você quer um Brasil decente, para nossas famílias, para nossos pais?” Em discurso que precedeu a votação
“Presidente, um colega nosso aqui da Câmara, cujo nome não vou citar, disse que, se nós cassarmos a Presidente Dilma hoje, ele vai se mudar do Brasil. Eu já comprei a passagem dele, sem volta. Saia daqui, porque nós vamos cassar o Brasil, em nome do Pará! Minha mãe negra Lucimar, meu sul e sudeste do Pará, meu Tapajós amado, meu querido nordeste do Pará, toda a área metropolitana, nós encaminhamos, em nome do Brasil, minha mãezinha, dos meus filhos, dos meus amigos do Solidariedade, desse povo querido que vota “sim”, nós votamos “sim”! E quem vota “sim” coloca a mão para cima! Coloca a mão para cima!” Ao votar
por Luiz Carlos Azenha
O deputado Wladimir Costa fez um espetáculo grotesco na Câmara dos Deputados. De todos, talvez o mais indecente, perdendo apenas para Jair Bolsonaro.
Em discurso que precedeu a votação da abertura de processo de impeachment, referiu-se à colega de Congresso Gleisi Hoffmann como “vaca”, a título de reproduzir xingamentos que a senadora recebeu ao desembarcar no aeroporto de Curitiba; ele também chamou a presidente da República de “psicótica”.
“O lado que vai cassar a Dilma não se envolve em roubalheira, em safadeza”, afirmou.
Porém, não é o que demonstram duas investigações oficiais que foram movidas contra o deputado.
Em uma delas, ele se tornou réu no STF por unanimidade no dia 19/11/2009 pelo crime de peculato. A Ação Penal é a 528.
Peculato é “crime que consiste na subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro público ou de coisa móvel apreciável, para proveito próprio ou alheio, por funcionário público que os administra ou guarda; abuso de confiança pública”.
Segundo a acusação, o deputado contratou três funcionários fantasmas para preencher cargos na assessoria parlamentar e embolsou os salários deles, pagos com dinheiro público.
A quebra de sigilo bancário demonstrou que, assim que o dinheiro caia na conta bancária dos laranjas, era sacado na quase totalidade. Depósitos equivalentes foram registrados na conta do deputado durante um período de 20 meses. Segundo testemunhas, as transferências eram feitas pelo irmão do deputado, Wlaudecir, que também é reu na Ação Penal 528.

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