Lourdes Nassif e Pedro Garbellini



Jornal GGN – A equipe do Jornal GGN teve a oportunidade de bater um papo com a cineasta Tata Amaral. Na conversa, entra em pauta a atual situação do país. E, dentro do nosso mundo atual, debate-se de tudo, como reforma política, feminismo, violência, audiovisual e diversidade. Tantos temas foram colocados na pauta, pois que emergiram ao longo da entrevista.

Reforma política
No dia anterior a esta gravação, Tata Amaral havia participado da entrega do manifesto dos artistas e intelectuais à presidente Dilma e contra o golpe. Ela afirma que a única coisa a ser feita é a reforma política. A cineasta identifica os dispositivos de representação que constroem as narrativas, “porque quando a gente usa os dispositivos, nós cineastas, a gente revela, isso é uma ficção, isso é um documentário, a gente não mente! Alguns mentem, mas, enfim...”. Tata aponta a vinheta musical ao fim do julgamento do mensalão como exemplo da construção narrativa do telejornalismo, assista aqui. Fazendo referência a campanha de Collor, Tata descreve uma situação quando, num debate, o diretor Jorge Furtado diz que "se nós fossemos alfabetizados audiovisualmente a gente não teria elegido o Collor".

“A questão é feminista”
A cineasta comentou que a representatividade da mulher no audiovisual produz violência, “é grave porque é letal”, disse ela depois de citar estudo feito pelo Instituto Geena Davis (veja aqui). A seu ver, é necessário uma representação mais rica dos brasileiros, “e isso passa pelo audiovisual, sem dúvida”. Tata fala também do negro, no geral, a cineasta trouxe estímulos à luta pela representatividade de direito no audiovisual. Ela conta histórias que vivenciou durante gravação de série sobre coletivos na cidade (a partir de junho na televisão), e também durante “Antônia”.



Quando perguntada sobre esse momento do país, na ótica da mulher, Tata responde que é possível sintetizar a conjuntura do país em torno da questão feminina. “O fato da gente ter uma presidenta mulher que está sofrendo críticas nesse nível, xingamentos violentos e machistas nesse nível, fica evidente essa doença da sociedade. Essa doença chamada machismo... Nas próximas eleições ou tem um discurso pró feminismo ou vai dançar porque isso está cada vez mais evidente”, reflete Tata Amaral.

O Brasil de todas as telas
Tata afirma que o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) está estabelecendo uma política de fomento ao audiovisual que investe na diversidade, conheça aqui as fontes de receita do fundo. Afirma que a linha de produção de conteúdos destinados às TVs públicas do programa Brasil de Todas as Telas (PRODAV) "é talvez uma das coisas mais interessantes porque ele realmente vai na diversidade, não só fomentando a veiculação como também provocando os produtores”. Na sua opinião, está evidente a importância de se diversificar a produção televisiva, “é muito uníssona nossa televisão. O nosso jornalismo e nossa teledramaturgia também, só tem um tipo de imagem sendo veiculada. Eu acho isso absolutamente nocivo". Tata comenta sobre a visibilidade do audiovisual brasileiro no contexto internacional, cita as últimas indicações brasileiras ao Oscar “Que Horas Ela Volta?” e “O Menino e o Mundo”, e afirma que “hoje em dia não tem um festival relevante que não tenha dois três filmes brasileiros, como Cannes, Veneza, Berlim, Sundance, Los Angeles”.


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