Ministro Dias Toffoli atendeu ao pedido da defesa do petista e revogou sua prisão
![]() |
| Paulo Bernardo, em uma foto de setembro de 2014. U. MARCELINO REUTERS |
A defesa do ex-ministro alegou que a prisão é ilegal e que Bernardo não teve envolvimento em eventuais irregularidades no ministério do Planejamento. Na decisão, Toffoli afirma que houve "constrangimento ilegal passível de ser reparado mediante a concessão de habeas corpus".
Ainda no despacho, o ministro do Supremo afirma que a decisão de prender o petista se baseou de maneira "frágil" no argumento de que Bernardo, "em sua condição de ex-ministro e e de sua ligação com outros investigados e com a empresa envolvida nas supostas fraudes, poderia interferir na produção da prova, mas não indica um único elemento fático concreto que pudesse amparar essa ilação".
A empresa em questão é o Grupo Consist, que foi contratado pelo ministério do Planejamento na gestão de Paulo Bernardo para operar os empréstimos consignados a funcionários públicos. De acordo com as investigações, a empresa cobrava um valor mais alto do que deveria e repassava 70% do faturamento ao PT e alguns políticos. A propina paga entre 2009 e 2015 teria chegado em 100 milhões de reais.
A base para a investigação foi a delação premiada do ex-vereador petista de Americana (SP), Alexandre Romano, operador do dinheiro ilícito da Consist desde 2010. O recurso passava pelas empresas dele, supostamente prestando serviços intermediários. Estima-se que Romano, preso em agosto de 2015, tenha gerenciado mais de 37 milhões de reais.
Para Toffoli, a prisão preventiva de Paulo Bernardo "seria cabível, em tese, caso houvesse demonstração de que o reclamante estaria transferindo recursos para o exterior, conduta que implicaria em risco concreto da prática de novos crimes de lavagem de ativos. Disso, todavia, por ora, não há notícia".
Bernardo foi preso durante uma operação da Polícia Federal na casa onde vive com a mulher, a senadora Gleise Hoffmann (PT), em Brasília. No mesmo dia, a polícia também prendeu Valter Correia, atual secretário de Gestão do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), e o ex-ministro da Previdência do Governo Dilma, Carlos Gaba. A Operação envolveu também outros 10 mandados de prisão preventiva, 14 de condução judicial e 40 de busca e apreensão. Entre os que foram chamados a depor estavam o ex-ministro da Previdência e da Secretaria da Aviação Civil Carlos Gabas, amigo pessoal da presidenta afastada, e o jornalista Leonardo Attuch, dono do site Brasil 247.
EL PAÍS Brasil

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;