Sou muito menos otimista, porque o arsenal golpista ainda tem muita munição para queimar e a artilharia de alto calibre de uma mídia e de um Judiciário metidos nesta aventura. Mas é fato que a permanente mobilização antigolpista e, sobretudo, as trapalhadas que estão revelando as entranhas reacionárias do golpe pioram, dia a dia, a situação de “já ganhou” que os usurpadores tinham há 20 dias.

Hoje, no Valor, petistas dizem que o desgaste do presidente interino com o PMDB do Senado animaram o partido a reforçar a articulação para barrar o impeachment de Dilma Rousseff.

“Senadores petistas avaliaram que o presidente interino não tem mais os 54 votos necessários para aprovar o impeachment no Senado e intensificaram as negociações com um grupo de cerca de 15 parlamentares que poderão votar contra o afastamento definitivo de Dilma.”
Mas eles fazem as contas e dizem os nomes de quem poderia virar o voto:

Com o desgaste da gestão Temer, o PT mira nos senadores que votaram pela admissibilidade do impeachment, mas que sinalizaram que poderão votar contra o afastamento definitivo de Dilma, na análise do mérito. Pelo menos dez se enquadram nesse cenário: Acir Gurgacz (PDT-­RO), Antonio Carlos Valadares (PSB­-SE), Cristovam Buarque (PPS­-DF),
Marcelo Crivella (PRB-­RJ), Benedito de Lira (PP-AL), Wellington Fagundes (PR­-MT), Ivo Cassol (PP-­RO) e Edison Lobão (PMDB­-MA), Raimundo Lira (PMDB­-PB), Hélio José (PMDB-­DF). Somado a esse grupo está o senador Romário (PSB-­RJ), que votou pela admissibilidade e declarou nesta semana que poderá mudar seu voto. 

Além desses onze estão os senadores Eduardo Braga (PMDB-­AM) e Jader Barbalho (PMDB-­PA) que são aliados de Dilma e não participaram da primeira votação do impeachment, o filho de Jader, contudo, ficou no ministério, na pasta da Integração Nacional. O presidente da Casa, Renan Calheiros, e Pedro Chaves (PSC­MS), suplente de Delcídio do Amaral, que foi cassado, não votaram e são contabilizados pelo PT no bloco dos 15 possíveis votos contra o impeachment. “Podemos conquistar entre oito e dez votos”, afirmou (o senador) Paulo Rocha.


Acho otimismo excessivo, como disse, mas há um novo fator, imprevisível: a queda de Fabiano Silveira, colocado por Renan Calheiros no Ministério da Transparência, tem tudo para ser tratada como um indicador de uma tentativa de interferência na Justiça. Tecnicamente, é tão ou mais grave que a ação que afastou Eduardo Cunha.

Calheiros, entretanto, tem uma espécie de “habeas corpus preventivo”: o vice-presidente do Senado é o petista Jorge Viana.

Alguém acha que lhe vão entregar o comando da casa?

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