O
deputado Jair Bolsonaro é o Donald Trump brasileiro, com duas
ressalvas: 1) ele é mais extremo que sua contraparte americana na
disseminação do ódio; e 2) ele tem vários filhos que são cópias fieis
dele e que se utilizam de vantagens familiares para serem eleitos a seus
próprios cargos país afora. Como resultado disso, a família Bolsonaro
lidera um movimento radical proto-fascista que cresce alarmantemente no
Brasil, baseado no fervor evangélico, no ultra-nacionalismo, na crença
na lei e na ordem, na hostilidade contra LGBTs e no culto à ditadura
militar do passado.
No ano passado, The Intercept o nomeou
como o “mais misógino e abominável político no mundo democrático”
depois de ele ter dito à deputada de esquerda Maria do Rosário que ela
não merecia ser estuprada por ele (ele foi recentemente condenado por
isso). Ele criou uma controvérsia internacional em abril quando, ao
votar favoravelmente ao impeachment da Presidente Dilma Rousseff,
enalteceu especificamente o general Brilhante Ustra, que participou da
tortura de Dilma durante a ditadura. Na mesma votação, seu filho
Eduardo, também um deputado, exaltou os generais que deram o golpe de
1964, que resultou na ditadura militar que a família Bolsonaro admira e
deseja de volta ao país.
Este é, portanto, o patriarca da família. Um de seus filhos
políticos, Flávio, é membro da Legislatura do Estado do Rio de Janeiro e
está atualmente concorrendo ao cargo de prefeito da cidade. Como os
outros membros de sua família, Flávio é um político de extrema-direita
cuja campanha é baseada em ideias dignas de Trump, como o restauro dos
valores evangélicos e a imposição do autoritarismo e da lei acima de
tudo. Infelizmente para Flávio, sua pose de homem durão e forte,
fabricada para a campanha, sofreu vários contratempos, inclusive quando
ele quase desmaiou
durante o primeiro debate entre os prefeitáveis, enquanto Jandira
Fehgali, do Partido Comunista do Brasil, que é médica, oferecia
assistência a ele (Jair, pai de Flávio, negou a ajuda em nome de seu
filho).
A imagem de Flávio de homem honesto, íntegro e dentro da lei sofreu
outro baque hoje. A cidade foi surpreendida, nesta semana, por um dos
piores crimes imagináveis: o coronel da Polícia Militar Pedro Chavarry
Duarte foi preso acusado de ter estuprado uma menina de apenas dois anos, que foi encontrada nua e aflita no banco de trás do seu carro. Os jornais descobriram depois que o coronel tem um histórico de suspeita em outros crimes envolvendo crianças.
Por motivos óbvios, há uma profunda revolta entre a sociedade com o oficial da polícia. Por esse motivo muitos se assustaram quando fotografias do incorruptível Flávio Bolsonaro, posando não apenas uma, mas em duas ocasiões diferentes com o policial acusado de pedofilia, surgiram hoje. A primeira foto é de uma edição de 2012 do jornal de uma associação de policiais aposentados, noticiando um evento de que os dois participaram. A origem da segunda foto ainda é desconhecida:
O fato em si não seria um golpe fatal na candidatura de Flávio:
afinal de contas, políticos tiram fotos com muitas pessoas, inclusive e
sobretudo desconhecidos, e seria injusto sugerir que alguém apoia ou
aprova a conduta de outra pessoa simplesmente por aparecer com ela em
uma foto – ou duas.
Mas Flávio assegurou que isso virasse uma grande notícia, e que muitas pessoas vissem as fotos, quando, nesta tarde, publicou um vídeo bizarro e desequilibrado, com 80 segundos de ameaças. Nele, o candidato chama aqueles que compartilham as imagens de “vagabundos”, gaba-se repetidamente de querer “castrar quimicamente” estupradores e pedófilos e, o pior de tudo, ameaça processar qualquer um que publique ou compartilhe as imagens, mostradas acima, dele ao lado do suspeito mais notável e odiado do Brasil no momento.
Em geral, é não apenas antiético e tirânico – mas usualmente bastante contra-produtivo – sair por aí ameaçando a todos, inclusive organizações de mídia, de processos judiciais se reportarem ou publicarem notícias com informações sobre políticos que buscam um substancial poder público. Previsivelmente, as ameaças de Flávio resultaram em uma avalanche de publicações desafiadoras das fotos nas mídias sociais. As ameaças de Flávio provavelmente resultarão numa circulação infinitamente maior das imagens que o político tenta, agressivamente, esconder – particularmente entre organizações de mídia dedicadas a defender o direito à livre expressão diante de ameaças como estas. Essa é a lição que Flávio pode tirar dos eventos de hoje.
The Intercept Brasil
Por motivos óbvios, há uma profunda revolta entre a sociedade com o oficial da polícia. Por esse motivo muitos se assustaram quando fotografias do incorruptível Flávio Bolsonaro, posando não apenas uma, mas em duas ocasiões diferentes com o policial acusado de pedofilia, surgiram hoje. A primeira foto é de uma edição de 2012 do jornal de uma associação de policiais aposentados, noticiando um evento de que os dois participaram. A origem da segunda foto ainda é desconhecida:
Mas Flávio assegurou que isso virasse uma grande notícia, e que muitas pessoas vissem as fotos, quando, nesta tarde, publicou um vídeo bizarro e desequilibrado, com 80 segundos de ameaças. Nele, o candidato chama aqueles que compartilham as imagens de “vagabundos”, gaba-se repetidamente de querer “castrar quimicamente” estupradores e pedófilos e, o pior de tudo, ameaça processar qualquer um que publique ou compartilhe as imagens, mostradas acima, dele ao lado do suspeito mais notável e odiado do Brasil no momento.
Em geral, é não apenas antiético e tirânico – mas usualmente bastante contra-produtivo – sair por aí ameaçando a todos, inclusive organizações de mídia, de processos judiciais se reportarem ou publicarem notícias com informações sobre políticos que buscam um substancial poder público. Previsivelmente, as ameaças de Flávio resultaram em uma avalanche de publicações desafiadoras das fotos nas mídias sociais. As ameaças de Flávio provavelmente resultarão numa circulação infinitamente maior das imagens que o político tenta, agressivamente, esconder – particularmente entre organizações de mídia dedicadas a defender o direito à livre expressão diante de ameaças como estas. Essa é a lição que Flávio pode tirar dos eventos de hoje.
The Intercept Brasil




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