Rodolfo Gomes, destaque da nova geração do samba paulista, conta que a composição começou quando surgiu o assunto do pacotinho suspeito em um encontro de sambista: “Pairava entre nós a dúvida de quem era a mão que balança o saco, daí descobrimos que o dito cujo era um deputado com um nome extremamente sonoro e musical: “Imbassahy”. Seu Carlão do Peruche soltou o primeiro verso daí o samba veio”, disse Rodolfo.
Considerado o último baluarte vivo do samba de São Paulo, seu Carlão do Peruche já foi detido e depôs no DOPS por conta de sambas subversivos com críticas veladas à ditadura militar. Toinho Melodia, outro sambista da velha guarda de São Paulo, também é autor de inúmeros sambas que satirizam a política a exploração dos mais pobres.
Para Rodolfo, o samba é uma expressão artística que serve como instrumento de luta, um jeito de passar o recado de forma irônica, positiva: “há uma linhagem de compositores que são cronistas do cotidiano, Noel Rosa, Zé Keti, Adoniran Barbosa e Geraldo Pereira faziam poesia a partir da vida da população, com sarcasmo, inteligência e lucidez. A política e os políticos são temas que pairam sobre esse cotidiano popular.”
Perguntado sobre os trocadilhos da música, Rodolfo não titubeia: “não tem trocadilho, queremos alertar a população sobre os riscos do consumo excessivo de açúcar, obesidade, diabete…”
Estranho Açúcar (Carlão do Peruche, Toinho Melodia, Rodolfo Gomes, André Santos, Matheus Crippa)
Desembaça aí, minha gente
Desembaça aí!
Levou um saquinho de açúcar pra rapaziada curtir…
Não era açúcar mascavo (nãaaaao)
Nem tampouco demerara (não, não!)
Não é qualquer bico de arara
Que mete a cara no doce
Não posso lhes dizer quem trouxe
Mas acho que sei de quem é
Ah, é? Ah, é?
Brasil Debate

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