Jornal GGN - O
desembargador Luiz Zveiter, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
(TJ-RJ), é alvo de sete acusações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
e concorre pela segunda vez à presidência do TJ, depois das mudanças
nas regras sobre reeleição no tribunal.
Segundo a Agência Pública, Zveiter
teve de responder a ao menos sete acusações distribuídas em 32
procedimentos no CNJ. Uma delas fala sobre abuso de poder para favorecer
a construtora que é cliente do escritório de advocacia de sua família.
Ele foi punido uma única vez, em 2005, quando teve de deixar a
presidência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), onde
atuava desde 1990.
A reportagem da Pública traz um longo
levantamento da carreira de Zveiter, desde quando ele advogava a favor
da família Marinho e da Rede Globo. Leia a íntegra abaixo:
Da Agência Pública
por Manuela Andreoni
Alvo de sete acusações no CNJ e punido
em um único processo, o desembargador Luiz Zveiter concorre pela
segunda vez à presidência do TJ-RJ após mudança de regra do tribunal
permitir a reeleição
“Não estamos tratando com uma pessoa
novata na magistratura, nós estamos tratando com o decano do Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro [TJ-RJ]”, destacou o advogado Márcio Thomaz
Bastos na sessão plenária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em sua
sustentação na tribuna naquele 11 de outubro de 2011, Bastos louvava a
integridade de seu cliente, o desembargador Luiz Zveiter, um homem
“radicado” e “expressivo”, segundo o advogado.
Bastos defendia o desembargador de
acusações de que teria abusado de seu poder para favorecer o cliente – a
construtora Cyrela – do escritório de advocacia de sua família. Apesar
dos predicados elencados por seu advogado, não era a primeira vez – e
não seria a única – que Zveiter enfrentava o julgamento de seus pares.
De acordo com documentos levantados pela Pública, Zveiter já respondeu a pelo menos sete acusações no CNJ, distribuídas em 32 procedimentos.
Qualquer pessoa pode fazer uma
reclamação contra um juiz e a maioria dos procedimentos corre em sigilo.
Além do caso Cyrela, que se tornaria um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), a Pública obteve a lista dos outros 26 processos contra Zveiter, além de cinco reclamações disciplinaresreferentes
à única punição sofrida pelo desembargador até o momento: em 2005, ele
foi obrigado a deixar a presidência do Superior Tribunal de Justiça
Desportiva (STJD), onde atuava desde 1990. O conselho decidira que ele não poderia acumular a função em uma instituição privada com a magistratura.
A Pública também obteve
documentos de sete casos que mostram que o magistrado era suspeito,
além do favorecimento de amigos e parentes, de interferir em um concurso
público, praticar irregularidades em obras públicas, participar de uma
campanha política e até mesmo negar segurança a uma juíza ameaçada de
morte. O desembargador refuta todas as acusações.
Também chama a atenção a morosidade dos
casos de Zveiter mesmo para os padrões do CNJ. Em maio, seis
procedimentos originados entre 2010 e 2015 seguiam sem desfecho. Desses,
o único caso que seguiu adiante e se tornou um PAD – justamente o da
construtora Cyrela – foi arquivado no último dia 8 de novembro por
unanimidade pelo plenário do CNJ, depois de permanecer 5 anos em
tramitação.
O que nos leva de volta àquela tarde de
2011, quando, depois da fala de Márcio Thomaz Bastos, a corregedora
nacional de Justiça Eliana Calmon pediu a palavra ao presidente do CNJ,
então o ministro Cézar Peluso, e sublinhou: “As condições de exame de
qualquer desembargador nesta casa têm de ser de absoluta igualdade, sob
pena de não merecer este colegiado o respeito da sociedade brasileira”.
Em março deste ano, Zveiter enviou um
e-mail aos demais magistrados: “afirmo que sou candidato e que não há
impedimento à pretensão”. O desembargador concorre pela segunda vez à
presidência do TJ-RJ – ele ocupou o cargo no biênio 2009-2010. Uma
mudança no regimento da corte, derrubada pelo CNJ, mas mantida por
liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a permitir que
magistrados que já exerceram a presidência voltem a se candidatar.
Zveiter já tentara se reeleger em 2014, sem sucesso. Não há notícias de
que outros ex-presidentes tenham tentado repetir o feito.
Decano e influente
Aos 61 anos, Luiz Zveiter é o decano, ou
seja, o membro mais antigo, do TJ-RJ. Seus cabelos castanho-escuros
penteados cuidadosamente para trás se destacam dentre as cabeças brancas
a grisalhas da maioria dos colegas com os quais divide a bancada do
Órgão Especial do TJ-RJ. A câmara é a mais poderosa do tribunal, em que
metade dos membros é eleita, e metade, escolhida pela regra da
antiguidade.
Zveiter é “um dos desembargadores mais influentes do Rio de Janeiro”, conforme descreveu o procurador Wellington Saraiva, ex-conselheiro do CNJ, em uma sessão do órgão em 2011.
Formado em Direito pela Universidade Gama Filho em 1980, ele foi
indicado ao posto de desembargador em 1995 pela seccional fluminense da
OAB por meio do quinto constitucional, mecanismo que permite indicar
advogados a 20% das vagas das turmas recursais em listas tríplices, das
quais o governador deve selecionar um nome.
O atual decano foi selecionado pela OAB do Rio para a lista tríplice em janeiro de 1995, pouco antes de Sérgio Zveiter, seu irmão, deixar a presidência da instituição em 2 de fevereiro daquele ano. Segundo a coluna de Danuza Leão no Jornal do Brasil,
Sérgio tinha o desejo de indicar o irmão desde dezembro de 1993, mas
acreditava que o então governador Nilo Batista vetaria o nome de Luiz.
Em 1º de janeiro de 1995, Marcello Alencar assumiu o governo e
escolheu-o como desembargador.
Rede Globo
A trajetória de Luiz Zveiter na
comunidade forense começa no escritório de sua família, fundado por seu
pai, Waldemar Zveiter, em 1957. Três anos depois de Luiz ter se formado
em Direito, seu pai se tornaria desembargador do TJ do Rio, também pelo
quinto. Em poucos anos, Luiz e seu irmão Sérgio assumiram a liderança do
escritório e casos de grande repercussão nacional.
Mais de dez anos depois do pai, o
advogado Luiz Zveiter, de 40 anos, se tornaria também desembargador. Seu
nome aparecia nas páginas dos jornais desde o fim dos anos 1980, quando
começou a assumir casos de grande repercussão de empresas como a Rede
Globo e a construtora Wrobel – uma das mais importantes do Rio de
Janeiro na época.
Foi ele quem, em 1989, defendeu Roberto Marinho no divórcio litigioso com Ruth Albuquerque, que discordava da parte que lhe cabia do patrimônio do magnata das comunicações. No mesmo período, defendeu também a Rede Globo em processo contra a TV Aratu.
A empresa perdera o direito de repetir o sinal da Globo na Bahia ao ser
preterida pela TV Bahia, que pertencia aos familiares de Antônio Carlos
Magalhães, então ministro das Comunicações.
Na mesma época, Luiz Zveiter foi
selecionado pelo presidente José Sarney, o mesmo que nomeara Antônio
Carlos Magalhães ministro, para o posto de juiz do Tribunal Regional
Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), onde permaneceu entre 1988 e 1992.
Foi também Sarney quem transformou o desembargador Waldemar Zveiter em ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 1989.
Antes de se tornar desembargador,
Zveiter já iniciara a carreira como auditor do órgão disciplinar ligado à
Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o STJD, do qual foi
presidente pela primeira vez em 1995. Forçado a sair em 2005, deixou ali
seu filho, o advogado Flávio Diz Zveiter, que iniciara sua carreira na
instituição aos 19 anos, depois de sabatinado pelo pai, então presidente
do órgão.
Zveiter foi também conselheiro federal da OAB e grão-mestre da Loja Maçônica do Estado do Rio – posto que ocupou duas vezes.
Em 2008, um juiz maçom, Josimar de Miranda Andrade, da 2ª Vara Cível de Nova Friburgo, condenou o promotor estadual Daniel Lima Ribeiro a indenizar Sérgio Zveiter em R$ 10 mil por danos morais.
Segundo a ação, o promotor se manifestou de forma tendenciosa depois de
ter denunciado irregularidades em contratos do escritório com o
município e ter suas falas reproduzidas pela imprensa. A decisão foi
confirmada em segunda instância, por desembargadores do TJ-RJ, e objeto
de acordo no STJ. Ribeiro não foi encontrado para comentar o caso.
“Ele tem muito poder pelas circunstâncias”, avaliou a ex-corregedora Nacional de Justiça Eliana Calmon em entrevista à Pública.
Em outubro de 2009, dias depois do
anúncio de que o Rio de Janeiro sediaria os Jogos Olímpicos de 2016, o
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) protocolou um
mandado de segurança, alegando que o Conselho de Magistratura do TJ-RJ
atentara contra a lei ao conceder registro a um imóvel na Barra da
Tijuca meses antes.
A ação do MP referia-se à decisão do
conselho, então presidido pelo desembargador Luiz Zveiter, que permitira
à empresa Elmway registrar um terreno de mais de 300 mil metros
quadrados na Barra da Tijuca, uma das regiões centrais para os planos
olímpicos cariocas.
Mas havia um problema: devido a
imprecisões no registro, poderia haver sobreposição de uma parte da área
com um terreno que um empresário do setor imobiliário na Barra da
Tijuca, Pasquale Mauro, dizia lhe pertencer. Mauro já havia comprometido
a área possivelmente sobreposta ao terreno reivindicado pela Elmway em
um contrato com a Plarcon Engenharia, assinado por um empresário que
também representava a Plarcon Cyrela. E outra parte da mesma área,
distante cerca de um quilômetro do terreno em litígio, já fora ocupada
por um edifício de luxo da Cyrela, o Riserva Uno. Anos depois, o campo
de golfe da Olimpíada de 2016 seria construído na área em disputa,
valorizando ainda mais os empreendimentos.
De acordo com o relatório produzido
sobre o caso, o filho de Mauro foi ao MP conversar com a promotora Laíse
Helena da Silva Macedo, que teria lhe informado apenas que o assunto
estava sendo discutido. A promotora é uma das responsáveis por um
mandado de segurança depois impetrado contra a Elmway por razões
ambientais. Curiosamente, porém, a ação cautelar movida pelo advogado de
Mauro no dia 27 de outubro de 2009, contra a decisão que permitiu o
registro do terreno pela Elmway, menciona esse mandado de segurança do
MP – que só se tornou público no dia seguinte, em 28 de outubro, sem
fazer nenhuma menção às pretensões de Mauro.
O assunto foi investigado pela
corregedoria estadual do MP fluminense, que diz não ter encontrado
irregularidades – uma decisão acatada pelo Conselho Nacional do
Ministério Público, mas posta sob suspeita quanto à sua imparcialidade
por Eliana Calmon no CNJ. Os promotores entrevistados durante a apuração
do PAD negaram ter sofrido qualquer tipo de pressão, de Zveiter ou
qualquer outro, na elaboração do mandado de segurança.
Quando o mandado de segurança do MP
chegou ao Órgão Especial do TJ-RJ, o relator no tribunal, o
desembargador Nametala Jorge, logo pediu informações ao desembargador
Luiz Zveiter, presidente do Conselho da Magistratura, sobre a decisão do
órgão, a favor da Elmway, disputada pela ação do MP.
O que causou estranhamento, segundo a
ex-corregedora Eliana Calmon, é que, em vez de defender a decisão do
colegiado que presidia, como seria usual, Zveiter concordou com o MP. Em
uma peça jurídica de 34 páginas, o desembargador cita questões nem
mesmo suscitadas pelos promotores, como o fato de a Elmway ter sua sede
nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal.
O órgão especial confirmou a tese de
Zveiter e retirou a permissão da Elmway de registrar o imóvel. O fiscal
da Receita Vanildo Pereira da Silva, sócio-gerente da empresa, entrou com uma reclamação no CNJ alegando
que Zveiter havia sido parcial no pedido de informações para favorecer o
Grupo Cyrela, defendido pelo escritório de advocacia de sua família.
Em sua defesa, o desembargador afirmou
que a área de interesse da Cyrela não se sobrepunha ao terreno requerido
pela Elmway e também que o Escritório de Advocacia Zveiter “não atua em
nenhuma causa relativa à titularidade dos imóveis adquiridos pela
Plarcon Cyrela Empreendimentos”, de acordo com um relatório investigativo elaborado pelo CNJ a que a Pública teve
acesso. Em resposta, os juízes que elaboraram o documento reproduziram,
no mesmo relatório, mais de 20 páginas com informações de processos em
que Flávio Diz Zveiter, filho do magistrado, consta como advogado de
empresas do Grupo Cyrela.
A juíza aposentada relatou quatro
processos contra o magistrado enquanto foi corregedora nacional de
Justiça. Eliana Calmon atribui parte do poder de Zveiter à ligação de
sua família com o maior grupo de comunicação do país, as Organizações
Globo. A corregedora se lembra de ter participado de dois programas
matinais da emissora, e também de ser entrevistada pelo jornal O Globo,
mas diz que não tinha espaço em outros programas e canais da Globo.
“Marcavam entrevistas e depois cancelavam”, disse. “Eu entendo que isso
advém justamente da retaliação dele, Luiz Zveiter.”
No dia 17 de novembro, a ex-governadora
do Rio Rosinha Garotinho disse à Rádio Gaúcha após a prisão de seu
marido, Anthony Garotinho, que, antes de ser preso, o ex-governador
entregara provas contra Zveiter e outras autoridades à
Procuradoria-Geral da República (PGR); segundo nota da coluna do
jornalista Lauro Jardim, o desembargador entrou com uma ação contra
Rosinha por difamação. Em sua reprodução da entrevista, o G1, site da
Globo, não incluiu o trecho em que Rosinha cita o magistrado.
Luiza Zveiter, filha do magistrado, é apresentadora da Globo News.
Em resposta à reportagem, o Grupo Globo
enviou nota em que diz trabalhar “com um número grande de advogados
contratados para as mais diversas tarefas”. Segundo a empresa, “a
relação não cria com estes advogados vínculos da empresa além do objeto
da contratação”.
Teoria da conspiração
“Senhores, não é possível que o ora
defendente tenha o poder de numa prestação de informações, por mais
extensa que seja, convencer ou inibir estes órgãos a tomar a decisão que
tomaram”, afirmou o advogado Pierpaolo Bottini aos membros do CNJ, em sessão realizada no dia 10 de maio de 2016,
durante o julgamento do Processo Administrativo Disciplinar
0006316-73.2011.2.00.0000 contra Zveiter, aquele do caso Cyrela,
iniciado em 2011.
O advogado se referia à suposta
influência de seu cliente, Luiz Zveiter, sobre o Mistério Público (MP), o
TJ-RJ e o STJ no caso em que o magistrado é acusado de usar seu cargo
para intervir em favor do Grupo Cyrela, que é cliente do escritório de
advocacia de sua família.
Naquela que seria sua última sessão no órgão, o conselheiro relator, Fabiano Silveira, apresentou o voto de 41 páginas, aguardado desde outubro de 2014, após a apresentação das razões finais pela defesa de Zveiter (a Pública teve acesso ao relatório elaborado por Silveira sobre o processo de apuração do caso).
Dias depois, Silveira foi escolhido pelo
então presidente interino Michel Temer como ministro da Transparência,
Fiscalização e Controle. Ocuparia o cargo menos de um mês – demitiu-se depois de flagrado orientando o senador Renan Calheiros sobre a Operação Lava Jato em áudios gravados por Sérgio Machado.
Na tribuna, Bottini descreveu o PAD como
uma espécie de teoria da conspiração. O advogado explicou que o pedido
de informações assinado por Luiz Zveiter (que desfavorecia a empresa
supostamente rival do cliente de seu filho) era produto de uma demanda
do MP. E argumentou que a recomendação de Zveiter, então presidente do
TJ-RJ, havia sido seguida por todos os desembargadores – com exceção de
um – que compunham o Órgão Especial do tribunal, cuja decisão fora
confirmada pelo STJ.
Em contraste, a versão dos fatos contida
no voto de Eliana Calmon, relatora da reclamação disciplinar em 2011, e
na apuração do PAD aponta para a possível conivência de autoridades com
os interesses de um empresário, ao impedir que um concorrente
registrasse um terreno na Barra da Tijuca.
“Circunstâncias nebulosas”
O “universo de circunstâncias
nebulosas”, como descreveu o então conselheiro Wellington Saraiva em seu
voto pela abertura do PAD, não significou celeridade no CNJ. A própria
instalação do processo disciplinar se sobrepôs a diversos obstáculos:
foram necessárias ao menos quatro sessões de discussões, entre fevereiro
e dezembro de 2011, além de dois pedidos de vista e uma arguição de
suspeição de um dos conselheiros. O processo só avançou após uma mudança
no voto da relatora, que retirou a exigência de afastamento do
desembargador do cargo durante a apuração dos fatos.
Aberto o PAD, por estreita margem de
votos, o processo de apuração levou quase três anos – incluindo uma
perícia, considerada desnecessária no início, mas que demorou quase um
ano para ser concluída. Mesmo com tudo pronto desde outubro de 2014, o
voto do relator Fabiano Silveira só foi apresentado em maio de 2016,
naquela que seria sua última sessão no órgão. Foram cerca de quatro dias
de trabalho para a redação de cada uma das 41 páginas do voto pelo
arquivamento da ação.
O voto de Fabiano Silveira só foi levado
a plenário quase dois anos depois, em maio de 2016. O conselheiro votou
pelo arquivamento, afirmando ser frágil a tese de que Zveiter sabia do
interesse da Cyrela no caso e que a posição defendida pelo desembargador
fora confirmada pelas instâncias superiores.
Naquela sessão, a corregedora Nancy
Andrighi pediu a palavra para solicitar vista do processo. Disse ter
outros quatro procedimentos contra Luiz Zveiter aguardando pauta, com
fatos ligados àquele caso, e que gostaria de olhá-lo com mais atenção.
Mas o processo que envolvia a Cyrela só voltou a ser chamado à votação
no dia 25 de outubro, cinco meses depois, após a saída de Andrighi do
CNJ.
O corregedor que a substituiu votou pelo
arquivamento do processo e foi acompanhado pelo resto do CNJ – exceto o
representante do Ministério Público Federal (MPF), Rogério Nascimento,
que se declarou impedido por ter trabalhado no caso como procurador. O
argumento vencedor, proferido pelo conselheiro Lélio Bentes, mencionou
falta de provas. “Imaginar ou presumir que o magistrado, ao oficiar o
mandado de segurança prestando informações, tivesse o conhecimento de
toda essa complexa situação e agira com má-fé, com intenção de
influenciar o resultado do julgamento, com todas as vênias, não me
parece razoável”, disse.
Os demais processos citados por Andrighi em maio não foram incluídos na pauta.
Niterói
Era 25 de outubro de 2011. O ex-ministro
Márcio Thomaz Bastos estava de volta ao CNJ como advogado de Zveiter.
Dessa vez a acusação era beneficiar amigos em uma decisão que permitiu a
retomada da construção de prédios de apartamentos em Niterói.
“[Luiz Zveiter] não é uma ilha”, começou
o advogado Thomaz Bastos, após a leitura do voto de Calmon. “Ele é de
uma comunidade pequena, como Niterói”.
Foi em Niterói que o patriarca Waldemar
Zveiter, descendente de judeus vindos da Rússia e natural de Brasópolis
(MG), decidiu fixar residência e cursar Direito; ali se tornaria
procurador do município, em 1965. Quatro anos depois, já era membro do
conselho da OAB do Rio de Janeiro, sediado em Niterói, então capital do
estado.
Foi lá que Luiz Zveiter viveu sua juventude praiana e ficou conhecido como “grande namorador”, segundo descreveu o suplemento local do Jornal do Brasil em reportagem de 1994. O periódico conta ainda que Zveiter só sossegou depois de casado com Claudia, “uma das mulheres mais bonitas da cidade”.
Nem o infalível trânsito da ponte
Rio-Niterói o demoveu da ideia de viver na cidade do outro lado da baía.
Em 2012, uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo flagrou Zveiter usando veículos de escolta do tribunal, “forçando a ultrapassagem no congestionamento”.
A presença de Bastos no CNJ naquela
terça-feira de outubro mostrava que a matéria do jornal paulista não foi
a única dor de cabeça que sua ligação com a cidade lhe rendeu. A
corregedora Eliana Calmon trazia ao plenário do CNJ um voto em que pedia
a abertura de um PAD para investigar Luiz Zveiter por ter beneficiado
amigos em uma decisão judicial sobre o licenciamento da construção de
prédios residenciais em Jardim Icaraí, uma das regiões mais nobres de
Niterói.
De acordo com a investigação preliminar
apresentada por Calmon, Zveiter, como presidente do TJ do Rio, teria
beneficiado a empresa Patrimóvel, de Niterói, ao suspender a decisão de
uma juíza de primeira instância que impedira a continuação das obras em
Icaraí até a realização de estudos de impacto ambiental e de vizinhança.
Segundo Calmon, havia fortes indícios de
que a decisão do desembargador que viabilizara “a construção e a
comercialização de centenas de apartamentos” beneficiara um provável
amigo pessoal do magistrado, o empresário Plínio Augusto de Serpa Pinto,
um dos diretores da Patrimóvel. O voto da corregedora relatava também
que a decisão de Zveiter beneficiara a CHL e, mais uma vez, o Grupo
Cyrela, ambos clientes do escritório de advocacia da família do
magistrado.
No plenário, a corregedora destacou que
três diretores da empresa imobiliária foram doadores da campanha de
Sérgio Zveiter para deputado federal nas eleições de 2010 – dois dos
quais doaram R$ 25 mil cada um.
Em resposta, o advogado Márcio Thomaz
Bastos alertou a corregedora de que suas suspeitas sobre Zveiter
contaminavam todo o TJ-RJ, já que a opinião manifestada pelo magistrado
havia sido, novamente, confirmada pelo Órgão Especial do TJ-RJ. Bastos
qualificou a investigação da corregedora de “clandestina”, destacando
que a denúncia que levara à apuração era anônima e havia sido arquivada
sumariamente meses antes – mas reaberta por Calmon. Levantou suspeitas
também sobre a atitude da corregedora, por ter mais uma vez levado o
nome de Luiz Zveiter ao plenário do CNJ. “Eu não tenho razão para
perseguir ninguém”, respondeu ela.
O processo terminou arquivado com quatro votos contrários, entre 15 conselheiros.
Caso Patrícia Acioli
Foi novamente Niterói – dessa vez em um
caso que chocou o país – que levou Márcio Thomaz Bastos de volta ao CNJ
meses depois para defender mais uma vez o desembargador. O plenário
analisaria as providências tomadas por Zveiter para proteger a juíza
Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros quando chegava a seu
apartamento em Piratininga, região oceânica da cidade. Apesar de
ameaçada, a juíza, responsável pela prisão de diversos policiais e
milicianos, não tinha escolta naquela madrugada de sexta-feira em agosto
de 2011.
Horas depois do crime, o desembargador Rogério de Oliveira Souza disse ao jornal O Globo que
estava presente no gabinete de Zveiter, na época presidente do
tribunal, quando a juíza fora solicitar proteção oficial, ainda em 2009,
mais de um ano antes do crime. Ao jornal, Zveiter negou qualquer
responsabilidade, afirmando que Acioli não tinha proteção por escolha
própria. “O que me consta é que ela preferia a segurança do próprio
marido, que era policial militar”, disse na época.
A pedido da família de Acioli, contudo, a
corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon decidira abrir um
processo contra o magistrado para apurar sua responsabilidade. Ele seria
votado naquele agosto de 2012 não fosse um erro do departamento de
tecnologia do tribunal que impediu a disponibilização dos autos do
processo aos conselheiros.
Além disso, na noite anterior, Calmon
havia excluído um dos requeridos no processo, uma desembargadora, por
considerar que ela não teve responsabilidade no caso, o que gerou
reclamação dos defensores de Zveiter. Segundo Calmon, houve também
dificuldade em intimar a juíza, que teria tirado férias, licença e até
desmaiado na presença de um oficial de justiça.
O mandato de Calmon no CNJ terminou no
mês seguinte, e o processo nunca mais voltou à pauta do plenário, apesar
de continuar em tramitação, sob sigilo, pelo menos até maio deste ano.
Pecado venial
“Se fosse pecado, eu diria que é um
pecado venial”, disse Cézar Peluso, presidente do CNJ, em fevereiro de
2011. Com essas palavras, o ministro isentava o desembargador Luiz
Zveiter de qualquer punição por ter participado da campanha política de
seu irmão.
O caso remontava às eleições de 2010,
quando Sérgio Zveiter era candidato a deputado federal pelo PDT – e Luiz
Zveiter, presidente do TJ-RJ, tribunal responsável, pelo menos em
parte, por designar seis dos sete magistrados que integram o TRE-RJ.
A campanha mal tinha começado, e, no dia 6 de agosto, a Folha de S.Paulo revelou
que um dos vídeos promocionais de Sérgio Zveiter continha um depoimento
do magistrado. A Lei Orgânica da Magistratura proíbe juízes de exercer
“atividade político-partidária”.
No vídeo, retirado do ar imediatamente, o
magistrado louvava a “trajetória pautada pela preservação dos direitos
das pessoas” do irmão, sem pedir voto diretamente. Em sua defesa, o
magistrado afirmou ignorar a intenção de quem elaborou o vídeo da
campanha de incluir nele seu depoimento.
Calmon sugeriu ainda que a participação do magistrado na campanha do irmão não parara no vídeo. O relatório preparado pela ministra mostrava
que, entre as ações sociais promovidas pelo TJ-RJ, sob a presidência de
Luiz Zveiter, uma beneficiava vítimas de uma tragédia no morro do
Bumba, favela de Niterói abordada pelo material de campanha de Sérgio –
“esta comunidade necessita de muita ajuda”, dizia um post no site do
candidato.
Em abril de 2010, o magistrado visitara a
favela para acompanhar o trabalho do tribunal, ladeado pelo governador
Sérgio Cabral e pelo próprio irmão, sem que este exercesse nenhum cargo
público. A presença de Sérgio Zveiter foi registrada em uma foto no site
do próprio TJ .
Mas o pecado era “absolutamente irrelevante”, segundo o próprio presidente do CNJ. O caso foi arquivado por oito votos a sete.
Pau que bate em Chico…
Dois anos depois, o CNJ voltou a julgar
um caso semelhante. O juiz maranhense Luís Jorge Silva Moreno teve
confirmada a pena de aposentadoria compulsória por nove votos a cinco.
Segundo o relator do caso, Bruno Dantas, quatro testemunhas reafirmaram a
participação do magistrado em comícios, passeatas e outros eventos
políticos – o que o juiz afirmava serem ações sociais.
Após a votação, o conselheiro Jefferson
Kravchychyn se destemperou, chamando atenção para a diferença entre o
resultado daquele dia e o do julgamento de Luiz Zveiter. “Há que se
comparar as pessoas, sim”, reclamou o conselheiro, “reiteradamente quem
detém o poder político e econômico alto tem dificuldade de ser punido
neste plenário”.
Sérgio Zveiter foi eleito. Em 2014,
encabeçou o ranking de candidatos donos de embarcações, compilado pela
ONG Contas Abertas: sua lancha Intermarine fora avaliada em R$ 4,6
milhões. O patrimônio do deputado valorizou quase 500% entre as eleições
de 2010 e 2014, para R$ 15 milhões.
Concurso suspeito
“Se nós não pudermos interferir em casos
como esse, realmente é muito sem sentido a nossa atuação, porque é uma
gritante ilegalidade”, afirmou o conselheiro Marcelo Neves, em tom de
preocupação.
Era 6 de abril de 2010, e Neves
comentava a decisão do plenário do CNJ de anular um concurso público
para cartórios do estado do Rio de Janeiro depois de verificar fortes
indícios de que duas candidatas haviam sido favorecidas pela Comissão
Examinadora.
A comissão fora presidida pelo então
corregedor-geral de Justiça do estado Luiz Zveiter. Segundo o
conselheiro José Adonis Callou, as candidatas favorecidas eram Flávia
Mansur, ex-namorada de Zveiter, e Heloísa Prestes, sua amiga.
Para chegar à conclusão de que houvera interferência no concurso realizado em novembro de 2008, Adonis analisara diversas provas dos candidatos ao concurso e, segundo ele, verificara que as candidatas próximas a Zveiter haviam obtido notas incompatíveis com seu desempenho no exame.
Os conselheiros presentes não contiveram
as gargalhadas enquanto Adonis expunha uma avenida de erros
ortográficos básicos cometidos pela quarta colocada no concurso, a
candidata Heloísa Prestes. Eram eles: “principio”, “teêm”, “analizando”,
“análize”, “vizando” e “tiverão”. O conselheiro destacou também falta
de consistência no conteúdo das respostas de Flávia, segunda colocada no
concurso.
Os conselheiros foram unânimes na
decisão de anular o concurso e instalar uma sindicância para apurar a
conduta de Zveiter e outros membros da Comissão Examinadora. Mas Neves
parecia preocupado com possíveis recursos ao STF. “Eles [ministros do
STF] podem até querer vir contra a nossa decisão, mas eles estarão não
exercendo Direito, mas apenas exercendo o poder de errar por último.”
Menos de dois meses depois, o ministro
Ricardo Lewandowski anulou a ordem do CNJ, em decisão liminar. O
ministro afirmou que “o exame do conteúdo de questões formuladas em
provas de concursos públicos, bem como a avaliação de seus critérios de
correção” não são responsabilidades do CNJ, e que o cancelamento do
concurso era uma medida radical demais, quando havia apenas indícios de
irregularidades, não evidências. Anulou também a sindicância aberta pelo
conselho, que seguia suspensa, ainda que em tramitação, pelo menos até
maio deste ano, quando a Pública teve acesso a uma lista de procedimentos ativos contra o magistrado.
Passados quase cinco anos, não houve
nenhuma movimentação no STF para que a liminar fosse analisada pelo
colegiado de ministros. Flávia Mansur permanece responsável pelo 15º
Ofício de Justiça da Comarca de Niterói. Já Heloísa Prestes foi afastada
do 1º Ofício de Justiça da Comarca de Barra Mansa, em dezembro do ano
passado, após constatação de irregularidades em repasses de créditos no
valor de mais de R$ 100 mil (confira aqui e aqui). Ela não respondeu a um pedido para comentar o caso.
Desafetos
“Se amanhã eu sofrer um atentado, ele é o principal suspeito”, disse o desembargador Bernardo Garcez, em sessão do TRE-RJ, no dia 1º de dezembro de 2014. “Tenho muito medo desse senhor querer me bater. Esse senhor Zveiter”, completou. A fala consta das páginas do Diário Oficial de Justiça, em que o desembargador fez questão que suas frases fossem registradas.
Garcez, que presidia a sessão daquela
segunda-feira, fazia referência a uma possível reação à denúncia que fez
sobre irregularidades cometidas por Zveiter. Em março, Garcez havia suspendido as obras da nova sede do tribunal,
iniciada por Zveiter e encaminhadas por sua sucessora, a desembargadora
Letícia Sardas, após constatação de que houve sobrepreço na licitação,
mais tarde avaliado em R$8,7 milhões, além de outros problemas. Na
época, apenas as fundações da obra estavam prontas, apesar de
transcorridos 14 dos 18 meses previstos para duração dos trabalhos.
Em 2015, um acórdão do Tribunal de
Contas da União (TCU) incluiu Zveiter e Sardas entre os responsáveis
pelos indícios de irregularidades encontradas.
Duas reclamações disciplinares contra
Zveiter foram protocoladas por Garcez no CNJ, cujos conteúdos são
sigilosos. A então corregedora Nancy Andrighi pediu que fossem incluídas
na pauta de votação do CNJ, mas até hoje isso não ocorreu.
Não foi a primeira vez que Zveiter teve
sua conduta questionada em relação a obras públicas. Durante a
construção de um prédio do TJ-RJ, suas decisões também foram alvo de
questionamento no CNJ.
O edifício conhecido como Lâmina Central
do TJ-RJ, construído pela Delta, foi inaugurado em julho de 2010.
Fernando Cavendish, dono da construtora, foi preso este ano, no âmbito
da Operação Lava Jato. Em um livro de 150 páginas sobre o novo edifício,
do qual cada desembargador recebeu um exemplar, a construtora agradece
ao magistrado a “coragem e ousadia” que possibilitaram a construção
dessa “obra relevante da engenharia nacional”. Ali se fizeram, por
exemplo, gabinetes imensos para os 180 desembargadores – enquanto juízes
de comarcas menores do estado despacham em meio a amontoados de papel.
A publicação acabou entrando na
investigação sobre a obra do TJ ainda em andamento. Um relatório do CNJ
mostrou que, à época, a empreiteira fora escolhida com “direcionamento” e
que havia “indícios de fraude fiscal”. O contrato de quase R$ 175
milhões foi assinado por Zveiter, aditivado por seu sucessor, Manoel dos
Santos. A inspeção resultou em uma sindicância instalada no fim de 2012.
Seu conteúdo ficou sob sigilo durante toda a sua tramitação. No dia 9
de julho de 2015, em resposta a um pedido de providências, a corregedora
Nancy Andrighi informou que a sindicância fora arquivada. Não há
informações sobre o motivo.
Contratos milionários e salários acima do teto
Além de imprimir sua marca no
Judiciário, o sobrenome Zveiter circulou também pelo Legislativo e
Executivo do estado. Entre 2006 e 2010, o escritório de advocacia da
família Zveiter recebeu R$30,9 milhões em contratos de serviços
prestados para Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (Cedae). Era o
primeiro mandato do governador Sérgio Cabral, mesma época em que Luiz
Zveiter foi presidente do tribunal.
No mesmo período, a chamada Lei dos
Fatos Funcionais elaborada por Zveiter foi votada e aprovada, em meio ao
recesso parlamentar de julho de 2009, na Assembleia Legislativa do Rio.
A lei foi sancionada pelo governador Sérgio Cabral em setembro do mesmo
ano.
Ela garantiu aos magistrados uma série
de benefícios, legalizando o recebimento de vencimentos acima do teto
constitucional, cujo valor atual é de R$ 33.763,00. Um levantamento feito pelo jornal O Globo mostrou que 98,5% dos magistrados recebem salários brutos acima do teto constitucional.
No mês de maio, um recordista recebeu R$ 150.111,00. Embora não seja
ilegal receber acima do teto constitucional, um levantamento da revista Épocapublicado
em 2015 mostrou o TJ-RJ como recordista em benesses. De acordo com a
Lei dos Fatos Funcionais, os juízes têm direito a receber auxílio-saúde,
auxílio-moradia, auxílio-educação, auxílio-alimentação, adicionais por
acúmulo de funções, por dar aula e outras indenizações. Os valores dos
benefícios vão de R$ 850 a R$ 5 mil.
Na justificativa da lei assinada por
Zveiter, falou-se na necessidade de equiparar os benefícios dos
magistrados aos previstos por lei para os integrantes do MP.
A reportagem questionou o TJ-RJ diversas
vezes sobre os valores das 14 benesses a que um magistrado do estado
tem direito hoje. Pediu, também, as resoluções que disciplinaram sua
criação antes da Lei dos Fatos Funcionais. O tribunal não forneceu os
dados solicitados.
Em 2010, a PGR questionou os
supersalários fluminenses no STF, apontando a inconstitucionalidade da
Lei dos Fatos Funcionais. Em 2012, o ministro Ayres Britto votou com o
argumento da PGR, pois, segundo ele, a norma estadual criava “vantagens
não previstas” na Lei Orgânica da Magistratura. Mas o julgamento não
andou: pouco depois do voto de Ayres Britto, o ex-desembargador do
tribunal fluminense Luiz Fux pediu vistas do processo, que até hoje não
retornou ao plenário.
“O doutor Zveiter não é o senhor desta
decisão. Ele é o produtor intelectual desta lei, que é um instrumento de
barganha. Não sei de onde vem todo esse poder dele, mas que é muito
poder, é”, disse à Pública o desembargador Siro Darlan,
juiz desde 1982 e desembargador desde 2004. Crítico do Judiciário
fluminense, ele completa com uma pergunta: “Vai que o STF decide que
essa lei é ilegal. Vamos devolver o dinheiro que estamos recebendo?”.
Enquanto a lei não é julgada, o
sobrenome Fux é mais um a circular entre os poderosos do Rio. Em abril
deste ano, a filha do ministro, Marianna Fux, se tornou desembargadora
do TJ. Como Zveiter, ela foi indicada, pelo quinto constitucional, pela
OAB do Rio; no seu caso, em um processo marcado por uma sabatina de dois
minutos.
O retorno de Luiz Zveiter à presidência
do TJ-RJ em dezembro é dado como certo por políticos, magistrados e
servidores do Judiciário. Derrotado na eleição para o biênio 2014-2015,
ele só pôde ser candidato graças a uma decisão do ministro Luiz Fux. Foi
ele o autor da liminar que cancela os efeitos de uma determinação do
CNJ que rejeitou a mudança no regimento do tribunal que permite a
reeleição de um desembargador à presidência em um espaço de dois
mandatos.
À época, em 2014, Fux considerou que o
STF ainda não havia determinado qual a regra para as eleições dos
presidentes do tribunal em casos como esse. Agora Zveiter está
desimpedido de concorrer e precisa do apoio da maioria dos 180
desembargadores para retornar à presidência do TJ-RJ.
A favor de Zveiter pesa a fama de bom
gestor, reconhecida até por Darlan. “O doutor Zveiter, diga-se o que
quiser dele, é um bom administrador. Transformou o tribunal, construiu
sedes… Não as desejáveis, porque não precisa de tanto luxo. Na primeira
instância, não há nem cadeira para sentar”, disse.
Os membros da família Zveiter mencionados nesta reportagem, incluindo o próprio desembargador, optaram por não dar entrevista à Pública.
Colaborou Leandro Resende

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;