Por Gilberto Maringoni
NEM TRAGÉDIA E NEM FARSA: FHC E A OPERAÇÃO ADENAUER
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O - ã? - artigo de Xico Graziano na Folha de S. Paulo desta quinta (3), pedindo a volta de FHC, é um balão de ensaio tucano, que expressa hesitações no interior do bloco dominante.
Graziano lança uma versão pós-moderna do Queremismo, possivelmente orientado pelo próprio interessado. Há sérias dúvidas se Michel Temer será duro e implacável o suficiente para dar respaldo à razão de ser do golpe, o congelamento do orçamento por vinte anos, em favor da alta finança.
A medida, como se sabe, pressupõe a anulação da política. Por duas décadas, nenhum postulante à presidência da República poderá ter programa algum. Será eleito o que melhor cortará na carne para fazer valer o rentismo em escala ampliada.
A classe dominante opta por uma espécie de "Operação Adenauer". Temer seria impichado na esteira da chapa eleita em 2014 e o Legislativo teria que solucionar a vacância presidencial.
Konrad Adenauer (1876-1973), foi eleito primeiro ministro da recém criada Alemanha Ocidental, em 1949, aos 73 anos. Governou até 1963. Era a melhor solução para unir um país destroçado pela Guerra e pelo nazismo. Alguém para catar os cacos da nacionalidade e dar-lhes novo sentido.
A eleição era congressual, como se sabe. Adenauer foi um político de direita, homem de confiança de Washington e que teve a grande tarefa de bloquear o avanço soviético na Europa, no auge da Guerra Fria.
Credenciais não lhe faltavam. Democrata Cristão (CDU) e anticomunista, o velho dirigente fora prefeito de Colonia de 1917 a 1933 e preso duas vezes pelo regime nazista. Em síntese, era um líder proeminente da República de Weimar e moralmente inatacável. Uma espécie de reserva-moral da nação.
No caso atual, com a avalanche de denúncias - em especial as de Eduardo Cunha - que se avolumam contra Michel Temer e sua trupe, vem a calhar a tentativa de se buscar uma espécie de Adenauer nativo, um pai-da pátria, nem que seja de fachada.
FHC está muito longe de ser inatacável. Mas aí conta-se com a falta de memória nacional. Vale aqui a frase imortal de Ivan Lessa: "A cada 15 anos, o Brasil se esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos".
FHC seria, para os de cima, a figura ideal para uma escolha indireta, via Congresso. Em tese, ninguém poderia acusá-lo de não ter sido eleito. Ele o foi, por duas vezes. Ninguém mais se lembra como, mas isso não tem a menor importância.
Precisamos de um Adenauer para, como diz Michel Temer, "pacificar o país".
Xico Graziano, por sua vez, é uma graça...
GGN

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