A Folha publica a surreal nota de Eduardo Cunha afirmando que pedaços de sua delação premiada foram “roubados” e enxertados na delação de seu cúmplice Lúcio Funaro, manobra que não poderia ser feita sem a participação do Ministério Público, afinal o único a ter acesso aos dois rascunhos de confissão.

“Repudio com veemência o conteúdo [dos depoimentos de Funaro]. [Trata-se] de mais uma delação sem provas, que visa a corroborar outras delações também sem provas, onde o delator relata fatos [de] que inclusive não participou e não tinha qualquer possibilidade de acesso a informações”, escreveu Cunha [em nota distribuída à imprensa].
O ex-presidente da Câmara diz que as delações premiadas chegaram “ao ponto máximo da desmoralização”. “Basta concordar com qualquer coisa que a acusação encomendar para obter infinitos benefícios.”

Não adianta a Procuradoria Geral da República dizer que palavra de bandido não merece crédito. Afinal, se não merecesse, de que serviria o que deles extraem as delações premiadas”?

Depois da podridão das gravações da JBS, não dá mais para usar o “la garantía soy yo” de antes. Tem de haver uma investigação:? saber quem são os procuradores que tiveram acesso aos famosos “anexos” de um e de outro, se tinham contato ou se, pior, eram os mesmos.

O processo de delação privilegiada “sem-fim” levou a isso, a este esquema “delata pai, delata mãe, delata filha, eu também sou da família, também quero delatar”. Virou um negócio sujo, de gente disposta a pagar pelo silêncio, como se viu na conversa entre Joesley e Temer, como, agora, a possível “escolha” de quem ia dizer o mesmo, deixando um com regalias e outro “na chuva”.

E não se pode premiar, se houve o “roubo de delação” de Cunha por Funaro na base do “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”, que roubou por último.

TIJOLAÇO

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