Cunha fala à imprensa pela primeira vez depois de ser preso e ataca Rodrigo Janot, Joesley Batista, Lúcio Funaro, Sérgio Moro e Lula; o ex-presidente da Câmara nāo faz menções diretas a Michel Temer ou ao PMDB, mas diz ter muito a revelar em sua delação.

O ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha está prestes a prestar a fazer delações, como parte de seu acordo para reduzir a condenação. Ele concedeu sua primeira entrevista desde que foi preso, em outubro de 2016, e à revista Época, afirmou ter “histórias quilométricas para contar, desde que haja boa-fé na negociação”.

“Tenho muito a contar, mas não vou admitir o que não fiz”, reforçou.

Crítico ao juiz Sérgio Moro, o responsável por sua ordem de prisão, Cunha se considera um preso político no Brasil. “Minha prisão foi absurda. Não me prenderam de acordo com a lei, para investigar ou porque estivesse embaraçando os processos. Prenderam para ter um troféu político. O outro troféu é o Lula. Um troféu para cada lado. O MP e o Moro queriam ter um troféu político dos dois lados”.

Cunha é acusado de receber propina de contrato de exploração de Petróleo no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar dinheiro. Na época, o argumento do Ministério Público para que ele fosse preso é de que, em liberdade, ele representa risco às investigações e à ordem pública. E que “há possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior” e da dupla cidadania. Cunha tem passaporte italiano e teria um patrimônio oculto de US$ 13 milhões em contas no exterior.

Em março de 2017, o ex-deputado foi condenado pela primeira vez na Lava Jato a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Na entrevista, ele negou ter recebido propina de empresários da JBS para “manter silêncio sobre qualquer coisa” – fato que sustenta a acusação contra o presidente Michel Temer de obstrução à Justiça.

Disse também que Joesley Batista fez uma delação seletiva para atender aos próprios interesses e que fez omissões graves. “O Joesley poupou muito o PT”.

Criticou o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot: “Só uma criança acreditaria que Janot toparia uma delação comigo. E eu não sou uma criança. O Janot não queria a verdade; só queria me usar para derrubar o Michel Temer”.

Para o ex-deputado, as investigações da Lava Jato e as delações são uma operação política, e não jurídica. 

“O Janot tem ódio de mim. Mas o ódio dele pelo Michel Temer passou a ser maior do que a mim. Então, se eu conseguisse derrubar o Michel Temer, ele aceitava. Mas eu não aceitei mentir. E ele preferiu usar o Lúcio Funaro de cavalo”.



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