Filhas de presas, elas foram “libertadas” graças a Indira Ranamagar, que montou abrigos para acolhê-las por todo o país.
Ranamagar também cuida de crianças abandonadas pelos pais. É o caso da pequena Bhu, deixada pelos parentes quando era um bebê prematuro, na época do terremoto que arrasou o país.
Os meninos e meninas dos abrigos chamam Ranamagar de 'amma', mãe em nepalês.
Mulher e pobre, Indira não teve acesso à educação. "Meu irmão ia à escola, mas eu, como menina, eu não era levada ao colégio", conta.
"Quando meu irmão fazia dever de casa, eu aprendia, mas eu não tinha lápis. Agora tem lápis em todo lugar! Mas eu não tinha lápis nem livro."
Ela encontrava outras formas de escrever. "Eu costumava escrever no chão. Eu aprendia sozinha."
Ranamagar visita presídios de mulheres regularmente, para dar apoio a presas e crianças. No Nepal, crianças de até cinco anos ficam com as mães nos presídios. Depois dessa idade, Ranamagar pode levá-las aos abrigos.
Ela diz que as condições nos presídios do Nepal são ruins.
"Há mulheres com problemas mentais. As mulheres brigam com as crianças por perto. Então, não é um local seguro para as crianças."
Boa parte das mulheres nas prisões é extramente pobre e vira alvo de gangues.
"Eu as chamo de sobreviventes, não criminosas. Os verdadeiros criminosos estão atrás das cortinas. E as mulheres pobres, que não tinham pão nem oportunidade, acabam nas prisões", conclui Ranamagar.
BBC Brasil

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