Ex-ministra, condenada em maio por criticar Alexandre Frota, será julgada novamente na próxima terça-feira. "Se mantiverem minha condenação, estarão legitimando os crimes de estupro no Brasil"

por Luciano Velleda, da RBA
REPRODUÇÃO TVT A ex-ministra disse desejar que o bom senso prevaleça em seu novo julgamento na disputa com Frota

São Paulo – Após ter sido condenada, em maio, a indenizar em R$ 10 mil o ator Alexandre Frota, a ex-ministra de Políticas para Mulheres Eleonora Menicucci se encontra a poucos dias da retomada de seu julgamento, agora em segunda instância, marcada para próxima terça-feira (24), em São Paulo. Ela já não vê mais seu caso como algo só seu. Para ela, a nova decisão da Justiça irá influenciar na luta das mulheres brasileiras contra o estupro e o assédio sexual.

“Eu aqui não defendo mais a mim, defendo todas as mulheres brasileiras porque o estupro é um crime hediondo”, afirmou Eleonora Meniccuci, em entrevista concedida nesta sexta-feira (20) no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. “Se recorri, é porque acredito que os juízes farão justiça. Se mantiverem minha condenação, eles estarão legitimando os crimes de estupro no Brasil.”

Eleonora foi condenada por criticar a reunião do ministro da Educação, Mendonça Filho, com o ator Alexandre Frota para debater a educação do país. A revolta da ex-ministra tinha origem na declaração de Frota, em programa de televisão, de que já teria feito sexo com uma mãe de santo desacordada. Para a ex-ministra, a declaração configurava não só a confissão de um estupro, como também a apologia ao crime.

Na entrevista, ela lembrou da sentença escrita pela juíza que a condenou em primeira instância, cuja fundamentação cita um trecho de livro publicado pelo atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no qual o autor discorre sobre “os limites da crítica”.

Opressão da fala


“Tive a certeza que se manifestava ali uma das faces mais terríveis do golpe contra a presidenta Dilma, que é a opressão da fala”, definiu. “Tenho convicção que isso faz parte do clima de ódio que se instalou no Brasil depois do golpe.”

Para o novo julgamento, a defesa da ex-ministra anexou uma série de decisões recentes da Justiça brasileira em outros processos movidos pelo ex-ator, contra pessoas que também o criticaram por declarações recentes, como o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), o jornalista Tony Goes e o cantor Caetano Veloso. Em todos esses casos, Alexandre Frota perdeu.

“Desejo que o bom senso perdure nesse novo julgamento. “É uma questão de honra pra mim, honra moral e ética, uma questão de vida”, afirmou Eleonora. Para ela, o importante não é o valor de R$ 10 mil da indenização, “que poderia ser 15 ou 30 mil”. O verdadeiro valor do caso agora é a sua “representação simbólica”.

“É lamentável que no século 21 uma mulher brasileira esteja sendo condenada por ser radicalmente contra o estupro, que já é, inclusive, um crime hediondo”, reflete a ex-ministra de Políticas para Mulheres.

Rede Brasil Atual

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads