No discurso em Diadema, onde o PT comemorou 35 anos da eleição do primeiro prefeito do partido, Lula deu uma declaração sobre a injustiça tributária do Brasil:
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Outra coisa que eles têm que saber, que eu vou dizer agora para vocês também, é que salário não é renda. Portanto, o povo não tem que pagar imposto de renda de salário. Quem tem que pagar imposto de renda é rico.
Os coitados dos metalúrgicos, químicos, gráficos, fazem um acordo para receber um aumento de salário e, quando vem o aumento, a Fazenda fica com tudo.
Enquanto isso, o rico sonega.
Nós vamos mudar. Estou mais preparado, mais calejado, mais experiente.
Jornais como o Estadão tiraram a frase do contexto, omitiram o que ele disse sobre a sonegação do rico, e deram a manchete: “Povo não tem que pagar imposto de renda sobre salário”.
Lula estava falando sobre a injustiça que os governos cometem em relação aos mais pobres, o que inclui dificultar o acesso à educação.
Ao dizer que salário não é renda, ele está certo. Até um certo ponto, salário é para subsistência, não é renda.
Veja-se o caso dos juízes, promotores e procuradores: ganham muito acima do teto da Constituição, o que já é ilegal, e ainda assim driblam o Fisco ao considerarem os extras não como salários, mas como benefícios como auxílio moradia e até auxílio paletó.
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Ao tocar na questão do aumento dos metalúrgicos, químicos e gráficos, ele ecoou uma antiga queixa dos trabalhadores: às vezes, dependendo do aumento, o salário muda a faixa de tributação e passam a ganhar até menos, porque a alíquota do imposto muda.
O próprio Lula foi criticado por isso, no início do seu primeiro mandato, quando trabalhadores o vaiaram na Mercedes Benz.
A tabela, que define as alíquotas, estava congelada e Antônio Palocci, na época ministro da Fazenda, se recusava a corrigi-la, pela inflação.
Foi certamente por isso que Lula disse: “Nós vamos mudar. Estou mais preparado, mais calejado, mais experiente.”
Por Joaquim de Carvalho

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