Leandro Daiello foi substituído na chefia da Polícia Federal pelo delegado Fernando Segóvia
DANIEL HAIDAR
São Paulo
Em uma decisão que preocupou policiais federais, o presidente Michel Temer (PMDB) anunciou a troca do comando da Polícia Federal nesta quarta-feira. Sai o delegado Leandro Daiello, o mais longevo diretor-geral da corporação desde a ditadura, e entra o delegado Fernando Segóvia, ex-adido na África do Sul e ex-superintendente da PF no Maranhão. Nos bastidores, policiais e políticos citam que a nomeação teve influência do ex-presidente José Sarney (PMDB) e do ministro da Casa Civil e réu na Operação Lava Jato, Eliseu Padilha (PMDB).
Policiais ficaram preocupados porque a mudança pode desidratar ou prejudicar investigações em andamento da Operação Lava Jato, que investiga Temer e boa parte da base aliada do Governo federal no Congresso. O presidente já escapou de duas ações penais no Congresso, mas agentes e delegados do 7º andar do edifício da Polícia Federal em Brasília ainda miram Temer pela suspeita de envolvimento em crimes durante a preparação da nova Lei dos Portos. Por isso, na prática, a mudança na chefia da PF é uma chance do presidente escolher quem vai investigá-lo.
E foi justamente na Polícia Federal que nasceu a Operação Lava Jato em Curitiba. Vieram da Polícia Federal alguns dos achados mais importantes da investigação, como o envolvimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberta Costa, que se tornaria o primeiro delator importante, a localização de contas no exterior do marqueteiro João Santana e a busca do bunker de propina do ex-deputado Geddel Vieira Lima.
Também foi a Polícia Federal que recuperou, com perícias especializadas, mensagens apagadas de telefones celulares de empreiteiros e políticos. Qualquer recuo na quantidade de agentes dedicados a investigações ou na autorização de gastos pode, no mínimo, atrasar novas descobertas do gênero.
Já houve queixas nesse sentido. Policiais da Operação Lava Jato reclamaram de diminuição de equipes de investigação na gestão de Daiello, mas comemoravam que, ao menos, ele nunca tentou interferir em inquéritos ou levantar informações sigilosas.
A força-tarefa da Polícia Federal da Lava Jato em Curitiba foi encerrada em julho e policiais perderam a dedicação exclusiva ao caso desde então. Antes disso, o Governo Temer já havia cortado orçamento específico da investigação, No Paraná, isso deixou o avanço das investigações ainda mais dependente de descobertas da força-tarefa do Ministério Público Federal. Há receio de que uma nova gestão na Polícia Federal também mude o funcionamento da força-tarefa de Brasília.
Apesar das preocupações, policiais dizem reservadamente que haverá resistência a qualquer tentativa de atrapalhar investigações. "É um ingênuo quem imagina que consegue parar a polícia com um diretor-geral. Claro que atrapalha, mas não para. Estão vendendo castelos no céu", diz um delegado.
EL PAÍS Brasil
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| O delegado Fernando Segóvia, futuro chefe da Polícia Federal REPRODUÇÃO |
Policiais ficaram preocupados porque a mudança pode desidratar ou prejudicar investigações em andamento da Operação Lava Jato, que investiga Temer e boa parte da base aliada do Governo federal no Congresso. O presidente já escapou de duas ações penais no Congresso, mas agentes e delegados do 7º andar do edifício da Polícia Federal em Brasília ainda miram Temer pela suspeita de envolvimento em crimes durante a preparação da nova Lei dos Portos. Por isso, na prática, a mudança na chefia da PF é uma chance do presidente escolher quem vai investigá-lo.
E foi justamente na Polícia Federal que nasceu a Operação Lava Jato em Curitiba. Vieram da Polícia Federal alguns dos achados mais importantes da investigação, como o envolvimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberta Costa, que se tornaria o primeiro delator importante, a localização de contas no exterior do marqueteiro João Santana e a busca do bunker de propina do ex-deputado Geddel Vieira Lima.
Também foi a Polícia Federal que recuperou, com perícias especializadas, mensagens apagadas de telefones celulares de empreiteiros e políticos. Qualquer recuo na quantidade de agentes dedicados a investigações ou na autorização de gastos pode, no mínimo, atrasar novas descobertas do gênero.
Já houve queixas nesse sentido. Policiais da Operação Lava Jato reclamaram de diminuição de equipes de investigação na gestão de Daiello, mas comemoravam que, ao menos, ele nunca tentou interferir em inquéritos ou levantar informações sigilosas.
A força-tarefa da Polícia Federal da Lava Jato em Curitiba foi encerrada em julho e policiais perderam a dedicação exclusiva ao caso desde então. Antes disso, o Governo Temer já havia cortado orçamento específico da investigação, No Paraná, isso deixou o avanço das investigações ainda mais dependente de descobertas da força-tarefa do Ministério Público Federal. Há receio de que uma nova gestão na Polícia Federal também mude o funcionamento da força-tarefa de Brasília.
Apesar das preocupações, policiais dizem reservadamente que haverá resistência a qualquer tentativa de atrapalhar investigações. "É um ingênuo quem imagina que consegue parar a polícia com um diretor-geral. Claro que atrapalha, mas não para. Estão vendendo castelos no céu", diz um delegado.
EL PAÍS Brasil

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