É preciso comemorar a notícia de que o ministro do STF Luiz Roberto Barroso decidiu conceder indulto a Henrique Pizzolato, um dos personagens centrais do julgamento da AP 470, o Mensalão, processo que inaugurou essa absurda etapa da vida brasileira na qual o Judiciário tornou-se a força central de nosso sistema político.


Numa tentativa de estimular a reflexão sobre aquele período e seus personagens, republico aqui um texto que escrevi em agosto de 2013, momento em que Pizzolato aguardava o julgamento de um recurso ao Supremo Tribunal Federal. O título original, “A Inocência Provada de Henrique Pizzolato” diz com clareza o que pensava na época – e penso hoje.

Quatro anos e quatro meses depois, não custa lembrar uma verdade que nem todos haviam percebido na época -- sem provas, em ambiente de linchamento, a justiça do espetáculo queria levar um país inteiro a fazer o "papel de bobo". Foi muito mais do que isso, percebemos hoje. O próprio regime político mudou. Lideranças que marcaram a luta contra a ditadura e organização do mais importante partido operário da história do país, o PT, como José Dirceu, José Genoíno, foram condenados -- sem prova -- no mesmo processo.

O horizonte dos brasileiros também se modificou.


Em 2013 o país vivia sob o mandato de Dilma Rousseff, presidente eleita, no primeiro mandato. Havia um ambiente de protesto e descontentamento no ar: foi naquele ano que ocorreram os célebres “protestos de julho”, um dos marcos da vida brasileira nesta década que parece não terminar. Mas a história não estava desabando perante nossos olhos. A CLT estava em vigor, como ocorria desde 1943. Não se falava em reforma da Previdência e o pré-sal era motivo de orgulho. Na economia, o país se encontrava próximo do pleno emprego. Dilma seria reeleita um ano depois, numa vitória apertada mas clara.


A primeira prisão operação da Lava Jato só iria ocorrer em 2014. Ninguém imaginava que em 2018, na oitava campanha presidencial pelo voto direto após o fim do regime militar, Luiz Inácio Lula da Silva – ele acabara de deixar a presidência com 85% de aprovação popular -- corresse o risco de ser impedido de concorrer por decisão judicial, a ser tomada por um tribunal de recursos de Porto Alegre.

Em setembro de 2013, sentindo-se injustiçado em seus direitos após ter sido condenado definitivamente, Pizzolato fugiu para a Itália, onde acabaria preso e enviado de volta ao Brasil, numa decisão que é discutível até hoje. Isso porque o mesmo tratado entre os dois países que permitiu a extradição de Pizzolato não foi empregado para promover o retorno do banqueiro Salvatore Cacciola. Embora tivesse sido condenado pela justiça brasileira por crime contra o mercado financeiro, numa escândalo com operações clandestinas de cambio que marcou o governo FHC, Cacciola só foi enviado ao país quando, num descuido, resolveu dar um passeio pelo principado de Mônaco, onde foi preso e enviado ao país.

Você pode ler, na íntegra, o texto que publiquei em agosto de 2013:




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