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| Foto: Renato Costa/Agência O Globo |
Leonardo Sakamoto
“Ninguém vai ser preso por apoiar a [Reforma da] Previdência. Acho que, quase que, deveria ser preso quem não apoia diante da evidente necessidade de que a Previdência brasileira seja modernizada.''
A frase é do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Carlos Marun,
em resposta a uma pergunta da jornalista Vera Magalhães, no Jornal da Manhã da rádio Jovem Pan. Ele foi lembrado que o uso da Caixa Econômica Federal como uma ''caixinha de governo'' resultou em prisões de membros do PMDB.
O responsável pela articulação do governo Temer com o Congresso Nacional admitiu, na terça (26), que o Palácio do Planalto está condicionando a liberação de financiamentos da Caixa aos Estados à pressão de governadores sobre deputados federais pela aprovação da Reforma da Previdência. Para, logo depois, afirmar que essa ação não se chama chantagem.
Talvez o ministro dirá que isso foi uma ''brincadeira'' ou um ato falho, apesar dele ser conhecido pelo excesso de sinceridade. Mas se parece mais com uma manifestação de criminalização do pensamento divergente – algo que não surpreende no atual cenário político brasileiro.
Michel Temer escolheu para uma função baseada em diálogo alguém que fala o que pensa. A uma primeira vista, isso poderia ser algo bom. Afinal de contas, transparência total permite saber com quem estamos lidando. Contudo, esse excesso de sinceridade é uma demonstração de um grande ''foda-se'', como já disse aqui. Marun fala o que quiser pois não tem medo da repercussão negativa junto à população.
O povo vendo autoridades não se importarem com o que fazem e dizem passa a não acreditar nas instituições e em tudo o que nos une como país. Para que respeitar regras se um ministro que trabalha no Palácio do Planalto não faz o mínimo esforço para demonstrar que tem pudor?
Desconfio que algumas pessoas do governo bem que gostariam de censurar os que se opõe à sua Reforma da Previdência.
Mas também desconfio que uma parte considerável da população gostaria que a parte da cúpula do governo e da base aliada, denunciada por corrupção, fosse julgada por seus crimes.
Nem sempre a gente consegue o que quer.
Blog do Sakamoto