Você se lembra do inovador tratamento para queimaduras desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará e anunciado em 2017? Nele, pele de tilápia esterilizada é colocada sobre a pele do paciente queimado e funciona como um curativo que dura até dez dias, acelerando o tratamento e diminuindo custos. Pois este tratamento acaba de ajudar duas ursas e um leão da montanha a se recuperarem mais rápido depois de um dos incêndios que atingiu a Califórnia recentemente. Os veterinários aprovaram os resultados e pretendem usar a técnica em vítimas de incêndios futuros.
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| Crédito imagem: Karin Higgins / UC Davis |
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| Crédito imagem: Karin Higgins / UC Davis |
Na corrida contra o tempo, a veterinária Jamie Peyton leu sobre a técnica brasileira que usa pele de tilápia, e resolveu testar o tratamento nos animais. Essas peles isolam a pele do paciente do exterior, evitando a contaminação e que a pele perca líquido e proteínas. Esta perda causa desidratação e prejudica a cicatrização.
Os ótimos resultados do tratamento foram quase imediatos. Logo após a aplicação da pele nas patas da ursa mais ferida, ela conseguiu se levantar pela primeira vez. Neste caso, as peles foram costuradas na pele da ursa e envoltas em papel de arroz para que ela não arrancasse a atadura tão rapidamente.
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| Crédito imagem: Karin Higgins / UC Davis |
Para Peyton, o mais importante nesta história foi a experiência da equipe com a técnica brasileira. “Esses animais contribuíram com a forma que vamos tratar queimaduras no futuro”. Com a mudança climática que tem causado incêndios cada vez mas frequentes no oeste estadunidense, é esperado que haja mais animais domésticos e selvagens queimados, e este provavelmente será o tratamento escolhido daqui para frente.
O incêndio Thomas afetou mais de mil quilômetros quadrados, destruiu mais de mil construções e forçou mais de 100 mil pessoas de Santa Bárbara e Ventura a deixar suas casas.
No tratamento desenvolvido no Brasil, as peles de tilápias são retiradas e lavadas em água corrente, esterilizadas inicialmente e enviadas ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) da Universidade de São Paulo (USP), onde são radioesterilizadas para eliminar qualquer vírus que poderia causar problemas. Essas peles esterilizadas podem ser refrigeradas e usadas em até dois anos.
Veja no vídeo abaixo como o tratamento com os animais foi feito:
Hypescience



