A cena é bem menor e de aparência mais respeitável.

Em lugar de quatro centenas de deputados e algumas dúzias de palhaços com buzinas, confetes e “alô, mamãe”, serão apenas três senhores e alguns auxiliares, de trajes discretos e comportamento adequado.

Mas, na essência, poderão fazer o mesmo: aplicar o castigo sem a evidência do crime e desconstituir a vontade popular, ainda que desta vez “preventivamente”.

Não vão citar “a minha senhora, a minha mãezinha e os meus netinhos” nem invocar Nossa Senhora, decerto. Mas, se referendarem a mixórdia sentencial de Sérgio Moro, estarão fazendo, com falsa erudição, absurdo maior.

Não apenas porque há centenas de juristas reconhecidamente capazes – “de nomeada”, no jargão forense – a dizer que não há ali nem regularidade nem consistência para condenar alguém – como as “pedaladas fiscais”, o triplex do Guarujá é um “não-fato” – como nem mesmo poderão alegar que as ruas se enchem de massas pedindo deles a execução de um inocente.

Os palhaços na Câmara e o Pilatos no Credo tinham, ainda, esta justificativa.

Tinham, também, outra atenuante: não havia ali o Bolsonaro às portas, esperando que a cidade desmonte as suas forças e lhe abra as portas. Desmontem-se as eleições livres e é o que teremos.

Será que suas excelências imaginam como será o Judiciário num país chefiado – porque governado não será – por uma figura feroz assim?

E então, teremos de relativizar o papel de seres primários, como o deputado da tatuagem de hena, a quem a ignorância e a boçalidade ainda podem servir de atenuantes.

Ou até mesmo o de Sérgio Moro, sobre quem ainda se pode considerar a possessão pelo ódio e a obsessão pela mídia, que transbordam no seus olhos rútilos, que o rosto frio e impávido não conseguem disfarçar.

Não é o caso de senhores bem preparados, ilustrados e aparentemente discretos.

Portanto, seus atos nem mesmo têm o transtorno mental a explicá-los.

Serão tudo o que não combina com a figura de um juiz: servilismo, medo, varas verdes a se curvar à onda avassalante que exige do Judiciário que se preste ao papel de praticar a cassação de direitos que não têm coragem de confessar serem seu objetivo. Ao avassalante, cedem os tendentes a vassalos, a servos.

Há neles, decerto, muito saber, mas haverá neles a coragem do simplório moleiro que esperava existirem juízes em Berlim, contra a majestade?

Poucos homens, na vida, tem uma hora exata a escolherem sua estatura, se gigantes ou anões.

Se escolherem o segundo papel, só o que conseguirão é aumentar o tamanho do gigantee a que pretendem acorrentar.

Porque, afinal, medir é comparar e isso a humanidade sabe desde seus primórdios.

E os brasileiros saberão fazê-lo amanhã.



TIJOLAÇO
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