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| Exército faz segurança do Palácio do Planalto durante manifestação em 2016: Foto: Evaristo Sá/AFP |
Mas também não faltaram discursos na tribuna que criticaram a falta de planejamento e o caráter marqueteiro da medida para, logo depois, conceder o voto a favor da intervenção.
Afinal, não queriam se indispor com o eleitor, considerando que a população, desesperada com os 60 mil homicídios anuais no país, está em busca de qualquer solução que prometa reduzir a violência e o medo. Mesmo aquelas soluções com cara de ''passe de mágica'', forjadas no autoengano, que desconsiderando ações estruturais, podem, na melhor das hipóteses, funcionar como paliativos.
Ou seja, um pacote que inclua a melhoria tanto nas condições de trabalho da polícia (com o desenvolvimento dos setores de inteligência) quanto da remuneração dos policiais. Mas também geração de empregos e educação profissionalizante, a fim de afastar os jovens da criminalidade, e a introdução de serviços públicos de qualidade a fim de estabelecer a presença do Estado nos territórios dominados pelo tráfico. E, antes de tudo isso, a convocação das comunidades afetadas para construir um plano de ação conjunto com o governo. Sem esquecer da alteração da fracassada política de ''guerra às drogas'', que serve para alimentar facções criminosas, políticos e policiais corruptos e os mercadores da morte – que inclui a indústria de armas e da segurança pública.
Por conta disso, aliados do governo vieram a público reclamar do ''populismo'' dos colegas quanto à Previdência. Contudo, a mesma reclamação não se ouviu dos governistas na votação da madrugada desta terça (20) que chancelou a intervenção.
O número de ausências na madrugada desta terça (100) reforça a percepção de que havia parlamentares não queriam se indispor com o eleitorado ao votar contra um projeto de uma pauta que, ao lado do emprego, irá estar no centro das preocupações populares na campanha.
Gostando ou não, esse jogo parlamentar faz parte da democracia.
O que não faz parte é rifar a vidas das pessoas (moradores, policiais, soldados), através de um plano feito às pressas com objetivo eleitoreiro, que dificilmente conseguirá trazer paz duradoura ao Rio, apesar de seus altos custos financeiros e institucionais. Mas que provavelmente irá trazer dor a inocentes que morrerem ou tiverem seus direitos tratorados no meio do caminho. E pode desequilibrar a delicada hegemonia de civis sobre militares, fragilmente garantida desde 1985.
Blog do Sakamoto
