
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Jorge Branco (*)
“O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.”
Michel Foucault
Marielle foi covardemente assassinada por que era uma voz representativa e ativa de quem mais morre no país, negros, jovens, mulheres e pobres favelados. Não foi um acaso. Sua morte foi planejada para amedrontar os que denunciam o genocídio organizado e consentido pelo estado subdemocrático brasileiro. O crime tem classe social, raça e gênero, é portanto, um crime político.
A morte da Marielle é um novo atentado de 1º de maio no Riocentro e seus autores se sentem, e efetivamente o estão, legitimados pelo combate a democracia e aos valores igualitários em curso no país. Legitimados pelo questionamento de todos os valores que signifiquem reparação, justiça, equilíbrio, direitos, respeito, divisão igualitária.
O que este discurso anódino de lamentação de “mais uma morte por falta de segurança” quer encobrir é que este crime é político, sua intenção é perpetuar o sistema de espoliação da vida e dos direitos dominante no Brasil, e seus autores se colocam no campo dos que querem eliminar qualquer ideia de democracia substantiva e de igualdade social, igualmente substantiva.
O crime organizado e as milícias paramilitares se nutrem de um estado que não é para todos, que é somente para os ricos. São mecanismos funcionais para que os de cima possam controlar os de baixo com baixo custo e mantendo o superávit fiscal, como querem os ricos e o capital rentista internacional.
Esses assassinatos são políticos e assim devem ser enfrentados e não esquecidos!
(*) Sociólogo, Mestre e doutorando em Ciência Política.
Sul 21