
Paulo Nogueira Batista Jr., ex-representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional e no Banco dos Brics publica, na CartaCapital, um excelente artigo sobre os economistas que, embora formalmente brasileiros, têm a “cabeça-feita” na nação do dinheiro e, por isso, claro, no “mundo desenvolvido” para onde se drena a riqueza dos países do terceiro mundo.
O regime colonial do espírito Paulo Nogueira Batista Jr.
Quero voltar a falar da famigerada turma da bufunfa. O leitor já conhece os seus feitos e façanhas. O núcleo duro é composto de banqueiros e financistas. A serviço deles estão economistas, jornalistas e outros profissionais, alguns muito prestigiados e bem remunerados, outros nem tanto e ansiosos para subir na vida.
Tenho por esses economistas bufunfeiros um divertido horror.
Há exceções, claro, mas de maneira geral eles se notabilizam por uma mistura de ignorância, oportunismo e falta de imaginação. Recentemente, escrevi um artigo em CartaCapital sobre eles, tomando como exemplo um economista que ocupa posição elevada no governo federal.
Nelson Barbosa, ministro da Fazenda no governo Dilma, resolveu tuitar o artigo.
Desencadeou-se uma pequena tempestade. Foram, sem exagero, centenas de reações, a maioria (confesso) negativas. Impressionante o número de gente ansiosa para defender o alto funcionário governamental e disposta a lançar insultos contra este pobre e indefeso articulista.
Fiquei quieto. Esperei alguns dias e respondi apenas que os insultos me fizeram lembrar a observação de Dom Quixote: “Ladram, Sancho, sinal de que cavalgamos”.
Assim, acredito que preciso voltar ao assunto.
Estou aparentemente no caminho certo. Não cabe dar muito descanso à turma.
Há uma dimensão do economista bufunfeiro que não pode ser subestimada: ele é quase sempre “cosmopolita”, no pior sentido da palavra, no sentido em que ela foi usada por Euclides da Cunha, por exemplo, para quem o cosmopolitismo era “o regime colonial do espírito”.
A ligação do bufunfeiro com o Brasil é tênue, duvidosa.
TIJOLAÇO