Governo Temer parou de endossar a tese de que o assassinato motiva a intervenção. Mudança de postura ocorre logo após o início das investigações sobre a morte da vereadora



Fotos Públicas - PR

Jornal GGN - O presidente Michel Temer tinha em sua programação uma viagem ao Rio de Janeiro, neste domingo (18), para fazer o balanço de um mês da intervenção federal com o aumento dos militares nas ruas do Estado. Mas após a repercussão negativa da política de Temer, com o assassinato da ativista e vereadora Marielle Franco, o mandatário desistiu.

A princípio, a tática do governo e ministros do presidente era reafirmar a suposta necessidade da intervenção, levando como exemplo a morte da vereadora do PSOL. Dois dias se passaram, e a estratégia caiu abaixo. É que as investigações até agora vêm endossando a hipótese de que o crime teria sido cometido por policiais.

Desde que o crime ocorreu na noite desta quarta-feira (14), no centro do Rio de Janeiro, assassinada com o motorista a tiros dentro de um carro, o principal porta-voz de todos os tempos de Michel Temer, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, ironizou o fato da lógica de que a morte mostra o fracasso da política de Segurança do governo atual.

"Imbecil é quem imaginou que teríamos solucionado em 30 dias a violência no Rio de Janeiro. Temos um trabalho de longo curso", disse o ex-deputado e ministro defensor de Michel Temer. Em seguida, mudou a fala, e passou a sustentar a tese do governo de que a morte da vereadora mostra que o governo estaria no caminho certo com a intervenção federal.

"É um crime bárbaro, que atinge uma representante do povo, e nós temos a mais absoluta certeza de que em breves dias, em função até da atuação da intervenção, nós teremos esse crime solucionado", reverteu o parlamentar, na lógica invertida.

Agora, entretanto, Temer teria neste domingo (18) uma agenda no Rio de Janeiro para revelar dados supostamente positivos da intervenção no Rio, contrariando a própria fala de seu ministro, chamando de "imbecil" aqueles que acreditaram que a intervenção teria resultados em um mês.

Por isso e diante da própria ironia de que Marielle Franco, ativista e vereadora do PSOL, era uma das críticas da política de Segurança de Temer, constantemente posicionando-se contrária a atuação das polícias, sobretudo o militar, no Rio de Janeiro e escancarando a violência militar e policial aos menos favorecidos, Temer preferiu cancelar a viagem.

Não fará o balanço de um mês da intervenção federal. A decisão não foi tão simples, segundo o blog de Andréia Sadi. Alguns aliados de Temer defenderam que o mandatário fosse ao Rio para reforçar a ideia de defesa da intervenção neste momento - e, consequentemente, seguir na estratégia iniciada.

Assessores, contudo, recomendaram a Temer que cancelasse a pauta e o presidente decidiu desmobilizar o evento já pré-planejado no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (16).


GGN

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