Sind-UTE/MG

Disputemos as ruas! Disputemos o nosso futuro

por Beatriz Cerqueira*, em sua página no Facebook

Acredito que é isso que o momento exige!

Muitos de nós estão dizendo ou com vontade de dizer “eu avisei” sobre a explosão de aumentos abusivos de tarifas públicas, da gasolina, do gás…




Quando lutamos contra o golpe, sabíamos que uma de suas faces era a venda da Petrobras, a mudança da sua política e consequentemente o encarecimento geral do custo de vida para o povo!

Dois anos depois, é exatamente isso que estamos vivendo: vida mais cara, desemprego, fim ou diminuição de políticas públicas!

A greve dos caminhoneiros conseguiu traduzir o que as pessoas já sentiam sobre tantos aumentos!

Por isso uma solidariedade que é real em vários segmentos da sociedade!

Não sei explicar a composição do movimento. É diverso, tem patrão, tem autônomo, tem greve, tem locaute!

O que vi nos últimos dias em que viajei pelas estradas de Minas foi um movimento cuja simbologia está em disputa: várias faixas pedindo intervenção militar!

O fascismo está disputando o movimento que está na rua, o empresariado também ao tentar reduzir a questão à diminuição de impostos!

O discurso “chega de impostos” é fácil, conversa com todo mundo mesmo que, na prática, este “chega” só beneficiará a elite!

Sem uma reforma tributária, a estrutura não se alterará! Quem vai continuar pagando imposto é o pobre e quem vai continuar patrocinando o discurso contra o imposto é o rico!




O debate não pode ser sobre isenção de impostos, que significa sempre retirar dinheiro da saúde, educação, assistência, seguridade social!

O problema do aumento do combustível precisa ser atacado na sua fonte: o modelo adotado pela Petrobras a partir do governo Temer!

O Temer sabe disso, o empresariado que o patrocina também. Por isso, o debate ficou centrado nos impostos, não na política!

É gravíssimo o anúncio das forças armadas há menos de 5 meses de um processo eleitoral! Há outros interesses! Fiquemos atentos!

O povo quer a mudança desta agenda de retirada de direitos!

Se deixarmos as ruas vazias, alguém as ocupará com sua agenda.

Hoje recebi dois cartazes pelo whatsaap: “uma greve geral sem sindicatos”, “uma manifestação a favor dos caminhoneiros pedindo menos estado”.

Se é greve, tem que ter sindicato! A negação de sindicatos só serve ao autoritarismo, ao fascismo! A um movimento que ser disperso, sem força aglutinadora!

A quem interessa isso? Como pedir “menos estado” se o preço dos combustíveis depende exatamente da política econômica que o Estado pratica?

A pauta pela diminuição das tarifas públicas, do preço dos combustíveis, do gás é de todos nós!

A luta por uma Petrobras que atenda aos interesses do país e à nossa soberania e não dos capitalistas de plantão também é pauta nossa! Hora de dizermos isso, na rua, como já fizemos muitas vezes!

Aos caminhoneiros que estão na sua luta justa por sobrevivência, todo o apoio!

Sem intervenção militar, que em nada resolve os problemas do povo!

Sem isenção de impostos que tira dinheiro das políticas públicas!

É por mais Estado na nossa vida, que garanta direitos!

*Beatriz Cerqueira é presidenta da CUT/MG e coordenadora-geral do Sind-UTE/MG

Viomundo
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