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Mais de 37 milhões de colombianos estavam habilitados para votar, embora sejam 19 milhões os que compareceram às urnas, o que significou uma abstenção de 46%


Por Victor Farinelli

O primeiro turno das eleições presidenciais colombianas elegeu, neste domingo (27/5), os dois candidatos que se enfrentarão na votação decisiva. Um deles é uribista Iván Duque, representante da extrema direita, e o outro significou uma certa surpresa: se trata do progressista Gustavo Petro, que embora tenha se mantido entre os primeiros da pesquisa durante toda a campanha, chamou a atenção pelo fato de ser o primeiro candidato de esquerda a chegar a um segundo turno presidencial na Colômbia.



Nesta votação de domingo, Duque foi quem obteve o primeiro lugar: cerca de 7,57 milhões de votos (39,14%). Por sua parte, Petro reuniu 4,85 milhões das preferências (25,10%), uma diferença não muito grande para o terceiro colocado – o moderado Sergio Fajardo, que conseguiu 4,59 milhões (23,74%) – mas o suficiente para garantir o segundo lugar. Os dois candidatos ligados ao governo de Juan Manuel Santos, o conservador Germán Vargas Lleras (7,28%) e o liberal Humberto de la Calle (2,06%), ficaram com a quarta e quinta colocação, respectivamente.

Os dois candidatos mais votados deverão duelar novamente nas urnas no dia 17 de junho, em votação que vencerá quem alcançar mais da metade dos votos válidos – descartando os brancos e nulos. O próximo presidente da Colômbia deverá assumir o cargo no dia 7 de agosto, para um mandato que terminará em meados de 2022.

Mais de 37 milhões de colombianos estavam habilitados para votar – incluindo os 800 mil que sufragaram no exterior – embora sejam 19 milhões os que compareceram às urnas, o que significou uma abstenção de 46%.



Fiscal assassinado e ataques paramilitares

Também se tratou das primeiras eleições no país depois da assinatura dos Acordos de Paz, em 2016 – tanto assim que a antiga guerrilha FARC, agora transformada em partido político, tentou participar com um candidato, mas acabou desistindo no meio da campanha.

Contudo, embora não seja errado afirmar que, pela primeira vez em 50 anos, a Colômbia não viu um processo eleitoral marcado pelo conflito armado a escala nacional como pano de fundo, houve sim muitíssimos casos de violência durante a campanha, envolvendo grupos paramilitares de direita, e inclusive um atentado com balas e pedras atiradas contra o carro de Gustavo Petro, numa visita à cidade de Cúcuta, no começo de março.

Durante os últimos meses a campanha, foram registrados mais de 40 assassinatos de líderes camponeses e sociais, alguns deles candidatos a cargos legislativos por alianças de esquerda. Raríssimos casos terminaram com os autores dos crimes identificados – e menos ainda foram os punidos.

A insegurança e a impunidade seguiram crescendo como bola de neve, e deram as caras também nesta jornada de votação. A autoridade eleitoral colombiana e os observadores internacionais registraram dezenas de casos de intimidação de eleitores, especialmente nas zonas rurais. E também um assassinato: se trata de Gabriel Muñoz, um jovem que trabalhava como fiscal eleitoral da campanha Colômbia Humana, do candidato Gustavo Petro, e acabou vítima de um ataque com armas de fogo, na localidade de Vereda de las Águilas região sudoeste do país.



Iván Duque

Os dois candidatos que disputarão o segundo turno eleitoral na Colômbia possuem perfis bastante diferentes.

Iván Duque é um advogado e ex-senador, que também trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entre 2001 e 2013. De pensamento ultraconservador, Duque encabeça a candidatura do partido Centro Democrático, cujo principal figura é o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Aliás, não são poucos os críticos de sua candidatura (incluindo o que será seu rival no segundo turno, Gustavo Petro) que o acusam de ser um mero títere nas mãos do maior líder da direita colombiana, que não se candidata devido ao seu enorme índice de rejeição.

Além do reforço das políticas econômicas de austeridade já promovidas pelo governo de Juan Manuel Santos, a plataforma de Duque se baseia em dois discursos básicos: atacar o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, apoiando abertamente a oposição de direita do país vizinho, e, principalmente, revogar todos os pontos do Acordo de Paz com as guerrilhas, o que criaria o clima para a retomada do conflito armado.



Gustavo Petro

O candidato da esquerda é Gustavo Petro, economista que também foi guerrilheiro, ligado ao grupo M-19. Candidato pelo partido Movimento Progressista, foi senador e prefeito de Bogotá – cargo do qual foi afastado por decisão da Justiça, depois de uma operação política-judicial a partir do questionamento dos contratos da coleta de lixo, mas logo reconduzido por decisão do presidente Santos, meses depois.

A plataforma política de Petro fala de “uma Colômbia de direitos civis e serviços públicos”. Acusado de “comunista” e “castrochavista” por seus opositores, sua resposta é “em nenhum momento vocês me viram prometer uma mudança de modelo com relação à propriedade dos meios de produção, o que eu prometo sim é uma mudança para uma sociedade de direitos e garantias sociais para todos, livre de discriminação e com maior bem-estar”.

Também para driblar os apelidos, tem tentado se desmarcar do governo venezuelano classificando-o abertamente como uma “ditadura”, contudo, em seu discurso deste domingo, logo após oficializado a sua passagem ao segundo turno, Petro também teve palavras para o governo de Michel Temer: “não apoio nem sou apoiado por nenhuma ditadura, seja ela da Venezuela, seja ela do Brasil, outro país irmão que passa por uma crise política da qual poucos se atrevem a falar”.

*Com informações de TeleSur e RT


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