Para entender as dificuldades de Alckmin, recomenda-se relembrar as derrotas tucanas de 2002 e 2006 diante de Lula



Rosinei Coutinho/STF Para ele , seria ótimo se, em Minas, Aécio desaparecesse do cenário

Os candidatos a presidenciáveis, com poucas exceções, torcem para que o ex-presidente Lula permaneça trancafiado na Polícia Federal, em Curitiba. Na vanguarda dessa torcida está, logicamente, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. Ele perdeu feio para o petista na eleição de 2006. Anteriormente, em 2002, o derrotado foi José Serra.


Alckmin se disporia a enfrentar o ex-presidente mais uma vez? Lula já deixou dois tucanos tombados. Caso saia da infame prisão, baterá, eleitoralmente, qualquer candidato disposto a enfrentá-lo. Os tucanos sabem disso. Insistem, mas temem.

Não há mistério. Trata-se da limitação eleitoral de Alckmin, ou Geraldo, como prefere dizer FHC. O guru dos tucanos acredita, supostamente, que almeja um nome mais fácil para os eleitores. Isso não depende somente dele. Os tucanos estão inquietos.

A presença de Alckmin, mesmo em aliança com o MDB, é incerta para ele. Por quê? Basta olhar pelo retrovisor e anotar o porcentual de votos que o ex-governador paulista obteve no segundo turno da eleição presidencial de 2006. Na disputa do turno final, perdeu mais de 2 milhões de votos. Um péssimo sinal para um novo confronto.


Alckmin está, definitivamente, sem o motor de arranque para esta competição, considerando, por exemplo, as últimas pesquisas. Notadamente nos 7% de intenções de voto apontados pela mais recente pesquisa Datafolha.

Em 2006, o desempenho dele foi um fiasco em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Em Minas, o PSDB teria agora de fazer desaparecer do cenário o senador Aécio Neves, para não contaminar Alckmin ou outro candidato qualquer.

Esses dois estados, somados, quase alcançam o eleitorado de São Paulo, o maior do Brasil. Entre os eleitores paulistas, Alckmin superou Lula. O tucano teve 11.696.938 votos (52,26%) e o petista 10.684.776 (47,74%). Ganhou também no Sul do País.


Há, porém, uma proeza nessa história. Lula foi o primeiro presidente, desde a eleição de Juscelino Kubitschek, a vencer para a Presidência sem os votos de São Paulo. Milagre? Claro que não. Ele foi compensado, no entanto, com 77% dos votos nos estados nordestinos, nos quais Alckmin recolheu apenas 22%.

Sem Lula na competição, é possível que haja forte rejeição à eleição. Três nomes, porém, superam o de Geraldo Alckmin nas pesquisas. O tresloucado candidato Jair Bolsonaro é o que, sem Lula, lidera as intenções de voto. Surpreendentemente, com 19% nas preferências do eleitorado, ele parece ter batido com a cabeça no teto.

CartaCapital
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