Alguém avisou e a Folha, parece, já tirou do ar  ao menos a chamada do baita escorregão de ignorância que cometeu hoje sobre a campanha de Fernando Haddad, que reproduzo acima.

É que, num evento de campanha em Alcântara, São Gonçalo, bem perto do Comperj, unidade da Petrobras paralisada no Governo Temer, o candidato petista disse que “um dos pontos estratégicos do governo Lula era a indústria de petróleo e gás. O Comperj, por exemplo, já estaria pronto em outras circunstâncias. Está 85% pronto e parado. Estamos falando de destilaria”, disse Haddad.

“Destilaria é importante porque evita importação. Você para de importar diesel e gasolina porque petróleo nós temos. É só destilar aqui, gerando emprego aqui”.

Pronto, bastou para o iluminado da Folha escrever que Haddad errou feio, chamando de destilaria uma refinaria e ensinou, arrogante:

“Enquanto a refinaria é usada para processar o petróleo bruto em combustíveis como diesel e gasolina, as destilarias têm como objetivo a produção do etanol ou de bebidas alcoólicas, como a cachaça.”

Hein?

Alguém tem de avisar ao repórter e ao editor da Folha que refinaria de petróleo tem como centro a destilação do dito cujo. O refino do petróleo é feito por destilação fracionada, onde cada derivado  “sai” da  coluna de destilação (a torre de craqueamento) a uma certa altura do equipamento, em razão de ser mais ou menos volátil.

Isto é uma destilaria.

Não é o caso de explicar em detalhes o processo, mas bastava o repórter digitar “destilaria de petróleo” no Google e apareceria o  verbete da Wikipedia dizendo que “refinaria é o nome usual para referir-se às destilarias de petróleo que realizam o processo químico de limpeza e refino do óleo cru extraído dos poços e minas de óleo bruto, produzindo diversos derivados de petróleo, como lubrificantes,  aguarrás,  asfalto, coque,  diesel,  gasolina, GLP, nafta, querosene, querosene de aviação e outros”.

O erro é das coisas mais comuns e perdoáveis, todos os cometemos. Agora, ser arrogante e estar redondamente errado é vergonhoso.

Como o jornalismo virou primo das “tretas” de Facebook, gracinhas passam a ser mais importantes que informação e, com isso, a importância de uma obra vital para o Brasil fica restrita a uma querela sobre ser refinaria ou destilaria, ainda que isso seja a mesma coisa.

A propósito, se interessa ao “especialista” da Folha, a primeira refinaria de petróleo do Brasil, construída em 1934 na cidade de Uruguaiana (RS) chamava-se Destilaria Riograndense de Petróleo.

No caso, porém, apenas destilou-se ignorância e produziu-se bobagens como derivado.


TIJOLAÇO

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